Alex Silva|Estadão Conteúdo
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Temer diz que, se necessário, vai aumentar impostos

Em entrevista, ontem à noite, presidente em exercício também defendeu a idade mínima na reforma da Previdência

CARLA ARAÚJO, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2016 | 08h08

BRASÍLIA - O presidente em exercício Michel Temer afirmou ontem em entrevista ao Jornal do SBT que não descarta recorrer a um aumento de impostos, se for necessário, mas que espera conseguir evitar que se chegue a esse ponto. “Se eles (impostos) vierem, serão temporários”, disse.

Temer disse ainda concordar com a ideia do ministro da Fazenda Henrique Meirelles de reformar a Previdência, afirmando ser necessário para garantir o benefício aos trabalhadores brasileiros. “Reformular a Previdência é fundamental”, disse.

Segundo ele, a idade mínima “sem dúvida” estará na reforma da Previdência, e o governo vai estudar regras de transição para não retirar direitos. Ele disse também que a questão da idade mínima pode ser colocada aos servidores públicos, pois é preciso buscar “uma certa isonomia”.

Em relação ao reajuste dos servidores aprovado ontem pela Câmara dos Deputados, Temer disse que era um acordo do governo passado e que os servidores “ansiavam pela aprovação dessas matérias”. Ele reconheceu que, além do cálculo econômico, há um aspecto político na aprovação, já que ela “pacifica a relação com servidores”. “São medidas pontuais que têm uma boa repercussão.”

O presidente em exercício afirmou na entrevista que, ao chegar ao governo, encontrou uma radiografia “muito negativa”, mas ressaltou que “graças a Deus” conseguiu encontrar no Congresso uma base muito sólida para ajudar o governo a aprovar matérias importantes.

Sem falar em herança maldita, Temer disse que era preciso destacar alguns números para que seu governo não seja acusado de responsabilidade. “Encontrei uma radiografia muito negativa, 11 milhões de desempregados, déficit de R$ 170 bilhões e graças a Deus conseguimos aprovar a meta fiscal para não cometermos irregularidades”, afirmou.

Impeachment. Temer afirmou que não tem trabalhado para acelerar o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, mas disse que a transitoriedade não é boa para o País. “Eu soube que o Senado quer antecipar (o impeachment) e antecipar em benefício do País”, afirmou.

“Convenhamos, ficar nessa situação de transitoriedade não é útil para o País, não é útil para senhora presidente, que fica fazendo naturalmente campanha para tentar voltar, e não é útil para governo, porque as pessoas olham ainda como se o governo fosse transitório.”

Apesar disso, ele atribuiu aos poucos dias de seu governo a queda menor do que a esperada no resultado do Produto Interno Bruto (PIB). “Quero registrar que a queda do PIB foi menor que a esperada, esperavam 0,8% e caiu 0,3%, o que já é um indicativo que esse brevíssimo período que estamos governando já produziu um efeito positivo”, disse. O PIB citado por Temer, no entanto, é o do primeiro trimestre, encerrado em março. Ele só assumiu a presidência em maio.

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