EFE
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Temer é vaiado em feira do agronegócio

Vice-presidente deixou a feira sem discursar e teve tratamento oposto ao do governador Geraldo Alckmin, que recebeu aplausos; incertezas sobre o Plano Agrícola e Pecuário preocupam o setor

Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

27 Abril 2015 | 11h07


Atualizado às 12h40

RIBEIRÃO PRETO - Sob protesto de um grupo de cerca de 50 manifestantes, o vice-presidente Michel Temer precisou deixar a Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), logo após a cerimônia de abertura, sem fazer discurso ou mesmo conceder entrevista aos jornalistas.

Até então, estava previsto um pronunciamento do vice-presidente mas, no local onde ocorreria o discurso, os manifestantes faziam buzinaço e pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff e de também de Temer.

A própria cerimônia de abertura foi prejudicada pelo barulho dos manifestantes e nenhuma das autoridades presentes no evento fez qualquer tipo de pronunciamento. Além de Temer, estavam presentes os ministros da Agricultura, Kátia Abreu, e de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) - estes dois últimos foram aplaudidos. Apesar dos protestos, não houve qualquer incidente durante a feira.

Ao chegar na Agrishow, Temer foi recebido ainda dentro do carro por vaias de um grupo de pessoas vestidas de verde e amarelo, com bandeiras do Brasil em mãos. Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi aplaudido e respondeu com acenos aos manifestantes.

Plano Agrícola. As incertezas sobre o Plano Agrícola e Pecuário 2015/2016, a ser lançado dia 19 de maio, preocupa as lideranças do agronegócio presentes na abertura do evento. Além do volume de recursos e das taxas de juros ainda indefinidos, outra preocupação do setor é a redução da fatia do bem financiado pelo crédito agrícola.

"Pode vir plano safra que não contemple o volume do bem a ser financiado", afirmou o vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Francisco Matturro.

Segundo ele, a incerteza sobre o próximo plano safra, válido a partir de 1º de julho, deve ajudar os negócios na Agrishow, ainda sob as regras do Plano Agrícola e Pecuário 2014/15. "Ainda há R$ 1,7 bilhão de recursos da primeira tranche e R$ 1,8 bilhão da segunda, com juros atrativos e possibilidade de financiar até 100% do bem. Por isso, o conselho é comprar agora", completou.

Já o presidente da Agrishow e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Fabio Meirelles, mostrou temor em relação aos juros e cobrou do governo uma linha "mais ajustada" de financiamento ao setor. "Há grande dificuldade em declarar a nova taxa de juros agrícolas. Isso nos preocupa, pois estamos defendendo uma linha mais ajustada e o Moderfrota é muito importante", disse.

"O governo precisa estar atento ao tomar qualquer medida que possa prejudicar o setor que gera renda e ajuda a segurar a inflação", concluiu. A Agrishow vai até sexta-feira.


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