Alexander Nemenov/AFP
Alexander Nemenov/AFP

Temer encerra participação no G20 e retorna ao Brasil

Na plenária, presidente falou sobre infraestrutura e tentou atrair recursos privados para o financiamento de obras

Altamiro Silva Junior e Anne Warth, BUENOS AIRES

01 Dezembro 2018 | 16h23

BUENOS AIRES - O presidente Michel Temer deixou há pouco o centro de convenções Costa Salguero, onde ocorre a cúpula de líderes do G20, em Buenos Aires. Ele retorna ao Brasil ainda neste sábado, 1º, e passará a noite de hoje em São Paulo, sem compromissos oficiais. Havia a possibilidade de que Temer concedesse uma entrevista coletiva nesta tarde, mas a previsão não se concretizou. 

Temer usou seu último discurso na plenária da reunião para falar de infraestrutura e defendeu, como forma de atrair recursos privados para o financiamento das obras, a possibilidade de conversão de projetos em títulos comercializáveis, com o objetivo de criar nova classe de ativos financeiros vinculados à infraestrutura.

"É iniciativa que conta com o engajamento não apenas dos membros do G20, mas dos bancos multilaterais de desenvolvimento, de organizações internacionais e do setor privado", afirmou o presidente no discurso ao falar da conversão dos projetos em títulos financeiros.

 

Temer defendeu ainda a necessidade de se garantir nos projetos "modelos de governança transparentes e previsíveis, regras estáveis e racionais". "Há que reforçar a segurança jurídica e tornar o ambiente mais propício para quem quer investir", disse ele, ressaltando que isso tem sido feito no Brasil e com resultados significativos.

"Temos que aprimorar os mecanismos internacionais de cooperação e financiamento", afirmou ao falar da necessidade de atrair financiamento privado para os projetos de infraestrutura. "Em infraestrutura, penso que o diagnóstico está feito: financiamento é palavra-chave."

Ao falar do financiamento dos projetos, Temer citou dados do próprio G20, que estima a necessidade de cerca de US$ 15 trilhões, até 2040, para sanar déficits de infraestrutura na economia mundial. "Mas o fato é que esse dinheiro existe: estão disponíveis no mundo, segundo estudos, US$ 120 trilhões que poderiam financiar projetos de infraestrutura, inclusive em mercados emergentes", afirmou. "Temos que fazer o dinheiro chegar aonde ele é necessário." 

Tensão comercial

O comunicado final da reunião de cúpula do G20 avalia que o crescimento mundial ainda segue forte, mas reconhece que ele tem se tornado "crescentemente" mais desigual entre os países. Além disso, riscos-chaves, incluindo a vulnerabilidade financeira, se materializaram parcialmente.

O texto nota que há "questões comerciais" afetando a economia mundial, mas não fala em aumento da tensão. Os líderes do grupo reafirmam a intenção de usar todos os instrumentos possíveis para se alcançar um crescimento forte, sustentável e equilibrado e trabalhar para conter riscos de piora da atividade. Antes do G20, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já havia alertado para indícios de que a atividade mundial pode estar sofrendo desaceleração em ritmo mais forte que o inicialmente esperado.

"A política monetária vai continuar a apoiar a atividade econômica e assegurar a estabilidade de preços", ressalta o texto, que também fala da necessidade de se avançar com reformas estruturais, da construção de amortecedores fiscais, assegurando que a trajetória da dívida pública é sustentável.

O texto destaca ainda a necessidade de os países investirem em infraestrutura, mas ressalta que é essencial a atração de recursos do setor privado. 

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