Dida Sampaio
Dida Sampaio

Temer estuda levar pessoalmente meta ao Congresso

Segundo fontes, o déficit do ano que vem 'está mais próximo de R$ 155 bilhões do que de R$ 160 bilhões'

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2016 | 19h23

BRASÍLIA - Para aparar as arestas em torno da meta fiscal de 2017, o presidente em exercício, Michel Temer, arrumou um espaço em sua agenda nesta quarta-feira, 6, quebrou o protocolo, subiu um andar e foi até a sala do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) para uma conversa com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Normalmente, Temer recebe os ministros em seu gabinete presidencial no terceiro andar do Planalto. O encontro, segundo interlocutores do presidente, aconteceu por volta das 15 horas.

Temer vai receber nesta quarta-feira,6, à noite no Planalto integrantes da área econômica e da Comissão Mista de Orçamento (CMO) para fechar o número do déficit do ano que vem. Segundo fontes, a conta ainda está sendo feita, mas o número agora "está mais próximo de R$ 155 bilhões do que de R$ 160 bilhões". "Tem que ter uma sinalização de que a vitória foi do Meirelles", afirmou a fonte, destacando que o presidente, em mais uma tentativa de afago aos parlamentares, estuda levar pessoalmente a meta ao Congresso.

A intenção de Temer era definir a nova meta fiscal na terça-feira, mas não houve consenso na equipe. Enquanto a área econômica defende um déficit próximo a R$ 150 bilhões, há na área política quem defenda, a exemplo do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, a repetição da meta deste ano, de rombo de R$ 170,5 bilhões, que ainda assim já imporia aperto adicional de gastos. Oficialmente, os ministros negam a divergência.

Após a reunião prevista para acontecer às 19h30, Temer deve chamar para uma reunião no Planalto alguns líderes para divulgar o número fechado.

Anúncio. O governo ainda estuda o formato do anúncio, mas, segundo interlocutores, caso o mercado receba bem o número Temer estuda levar pessoalmente o texto da meta ao Congresso. Em 15 de junho, Temer pretendia ter ido ao Congresso entregar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o crescimento dos gastos do governo, em um ato simbólico de sua gestão - tanto de afago aos parlamentares como ao mercado pela demonstração de ímpeto na austeridade.

Mas acabou abandonando a ideia por conta das resistências que enfrentou ao texto, seja do ponto de vista econômico, como político. Decidiu, então, apresentar a PEC aos parlamentares, em reunião de líderes, no Planalto. Agora, ensaia uma nova ida ao Congresso, para entregar a meta fiscal, mais próxima ao que quer Meireles.

Segundo interlocutores, além dessa possível visita ao Congresso e de se debruçar nas contas para apresentar "o menor número possível", o governo vai usar a divulgação de amanhã para reforçar a agenda positiva e o seu compromisso com as contas públicas. Temer pediu que integrantes da equipe econômica preparem medidas adicionais, principalmente relacionadas ao controle de gastos, para serem anunciadas amanhã. "Ele não quer que o discurso de aumento de receitas fique focado apenas em impostos", disse uma fonte.

Uma delas é a revisão do auxílio-doença. O ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou no fim do mês passado que o governo estava "iniciando estudos" para detectar eventuais fraudes e equívocos no auxílio-doença pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Ele salientou que mais da metade dos beneficiários pode ser alvo de triagem por estarem recebendo o auxílio há muito tempo. "As pessoas que são obrigadas a se afastar do trabalho, por motivo de doença, passam a receber o benefício pelo INSS. Esse benefício custa R$ 23 bilhões por ano e observamos uma prevalência de cerca de R$ 13 bilhões com pessoas que estão há mais de dois anos afastadas por motivo de doença", disse, na ocasião. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.