Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Governo divulga nomes de nova cúpula da Caixa

Mudanças ocorrem para atender a sete partidos da base aliada do governo e envolvem seis vice-presidências e duas exonerações

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2016 | 11h08

O presidente Michel Temer nomeou seis novos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal e exonerou dois, conforme decretos publicados no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira. As mudanças ocorrem seis meses depois de Gilberto Occhi assumir o comando do banco e, segundo o Broadcast antecipou na quarta-feira, 7, atendem a pedidos do PMDB, PSDB, DEM, PR, PRB, PP e PSB. 

Deixaram os cargos Joaquim Lima de Oliveira (Tecnologia da Informação) e Paulo José Galli (Governo) e foram nomeados Arno Meyer, José Antonio Eirado Neto, Marcelo Campos Prata, Paulo Henrique Angelo Souza, Roberto Derziê de Sant'anna e Deusdina dos Reis Pereira, esta responsável exclusivamente pela gestão das loterias e dos fundos instituídos pelo governo federal, incluído o FGTS.

Ainda na interinidade, Temer anunciou que barraria o aparelhamento político nas estatais e fundos de pensão. Ele suspendeu as nomeações com o argumento de que só seria nomeado "pessoal com alta qualificação técnica". No fim de junho, o presidente sancionou a Lei das Estatais, que estabelece regras mais rígidas para a escolha dos dirigentes das estatais, como dez anos de atuação em cargos de empresas do setor ou quatro anos em companhias similares.

Braço direito do presidente Temer, Roberto Derziê assumirá a Vice-Presidência de Governo, no lugar de Paulo José Galli. Derziê já foi vice-presidente de Operações Corporativas da Caixa, mas deixou o cargo em junho de 2015 para trabalhar como secretário executivo de Temer, quando ele acumulou a articulação política, antes da presidente Dilma Rousseff cair.

Para o cargo de vice-presidente de Finanças e Controladoria, foi escolhido Arno Meyer, da equipe da Secretaria da Fazenda do governo tucano de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Ele tem a confiança do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, que também fez parte do governo Alckmin.

A indicação do vice-presidente de Riscos gerou atritos entre a equipe econômica e o núcleo político de Temer. O ex-ministro de Governo, Geddel Vieira Lima, defendeu o nome Paulo Henrique Angelo Souza, superintendente regional da Caixa na baixada santista. O Ministério da Fazenda vetou o nome porque queria alguém com perfil mais técnico. A pasta queria blindar a área do banco responsável pelo rigor no cumprimento dos acordos internacionais de exigência de capital, supervisionados no Brasil pelo Banco Central. A indicação, no entanto, foi bancada pelo deputado Pauderney Avelino (DEM-AM). O partido não tinha feito nenhuma indicação e o governo teve que ceder.

Na Vice-Presidência de Tecnologia da Informação, no lugar de Joaquim Lima de Oliveira, entra José Antônio Eirado Neto, que integra o governo do Distrito Federal na gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB). Ele já foi chefe do Departamento de TI do Banco Central e diretor da Infraero.

Para a Vice-Presidência de Operações Corporativas, sai Lucas José Palomero e entra Marcelo Prata, que conta com o apoio da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES). A exoneração de Palomero deve ser publicada nos próximos dias.

Alguns dos atuais vice-presidentes vão ser mantidos nos cargos com as bênçãos dos partidos da base. São os casos de Marcos Fernando Fontoura dos Santos Jacinto, na VP de Gestão de Pessoas, e Fábio Lenza, em Negócios Emergentes. Os dois contam com o apoio da família Sarney (PMDB). Jacinto foi secretário do governo Roseana Sarney (PMDB), filha do ex-presidente José Sarney (PMDB), e é apontado por políticos do Maranhão como indicado do senador João Alberto (PMDB-MA), aliado da família - foi vice de Roseana em 2006 e depois eleito senador na chapa da peemedebista em 2010, junto com Edison Lobão (PMDB-MA).

Antonio Carlos Ferreira vai continuar como vice-presidente Corporativo, com o apoio do PRB, da bancada evangélica. Deusdina dos Reis Pereira será efetivada na VP de Fundos de Governo e Loterias, com a indicação do PR. Esse lugar já foi ocupado por Fábio Cleto, que fez delação premiada para denunciar esquema de corrupção no FI-FGTS, fundo de investimento que usa parte dos recursos do FGTS para aplicar em infraestrutura.

Responsável pela administração do FI-FGTS, a VP de Gestão de Ativos ficará com Flávio Eduardo Arakaki, nome técnico e com as qualificações exigidas para o cargo.

Ligados ao PP, também responsável pela indicação de Gilberto Occhi para a presidência do banco, Nelson Antonio de Souza continuará com Habitação e José Henrique Marques da Cruz, com Varejo e Atendimento.

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