FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Temer optou por Forças Armadas por achar que situação chegou ao limite

De acordo com Temer, 'era a hora de mostrar autoridade', pois Brasil poderia entrar em copalso

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 18h13

A decisão do endurecer com o movimento e do emprego das Forças Armadas foi do próprio presidente Michel Temer, que entendeu que a situação “chegou ao limite”, que “o acordo assinado não foi cumprido” e que “a população não poderia continuar sofrendo com o desabastecimento”. O presidente decidiu chamar para si a responsabilidade da ação porque considerou que já havia dado sinais de que queria diálogo, que não trouxe os resultados esperados, e que agora, era a hora de “mostrar autoridade”, ou “o Brasil entraria em colapso”.

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A decisão de empregar forças federais ocorreu pouco depois das 11 horas, antes de o presidente participar da reunião com os secretários de Fazenda, que estava marcada também para às 11 horas, quando todos iam começar a discutir a redução do ICMS no preço dos combustíveis. A reunião de emergência começou às 10 horas, chamada pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen. Quando a reunião já estava em andamento por volta das 11 horas, com a avaliação de que havia ocorrido um sério agravamento da crise, o presidente Temer deixou seu gabinete no terceiro andar e subiu para o quarto andar, onde a discussão estava acontecendo entre os ministros diretamente ligados ao tema.

Temer chegou e ouviu avaliação da situação. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, ponderou que era preciso que o governo agisse e rápido porque o problema estava numa espiral crescente, que o desabastecimento era grave e que o problema já estava causando transtorno para as pessoas que usam gasolina, obrigadas a ficar em filas intermináveis, em busca de combustível. O sentimento era unânime, assim como o reconhecimento da necessidade de ação federal. O presidente então afirmou que já tinha dado demonstrações de que quis dialogar, mas que o momento era de agir com energia.

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Durante as discussões, ponderou-se se os caminhoneiros havam tido ou não tempo de desmobilização, de sair das estradas, e se o governo deveria dar um prazo para que isso acontecesse. Temer, então avisou que não, que o diálogo já tinha sido feito, sem contrapartida. “Temos de mostrar autoridade senão o Brasil entra em colapso”, desabafou o presidente, que tem reiterado que não tem medo de agir. “Tudo tem limite”, afirmou ele, segundo um dos participantes do encontro.

Discutiu-se que poderia ser feita a remoção dos caminhoneiros das estradas, inclusive dos acostamentos, mas havia uma preocupação com confronto e a difícil execução desta prática, inclusive a questão jurídica. A ideia, no entanto não está entre as prioridades de ação, que é garantir que os combustíveis cheguem aos destinos mais emergenciais, agindo nas refinarias, aeroportos e portos, por exemplo.

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Adotada a determinação de emprego das Forças, Temer avisou que estava voltando para seu gabinete onde iria decidir como faria a comunicação. Chamou, então, os ministros para acompanhá-lo e a reunião continuou com o segundo escalão, discutindo a questão logística. O presidente Temer cogitou fazer um pronunciamento em cadeia de radio e TV. Mas, avisado que a imprensa estava toda a postos no Planalto e que um comunicado do próprio presidente no salão Leste teria o mesmo efeito e, devido a urgência da comunicação do fato, teria efeito melhor e mais imediato.

Temer fez questão também de entrar em contato com governadores, para pedir apoio, inclusive caso seja necessário o emprego das Polícias Militares para a atuação na desobstrução das vias.

Um centro de monitoramento da paralisação foi montado para unificação de comando de ação, incluindo Forças Armadas, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e Secretaria de Segurança Pública. O governo quer uma ação integrada nesta questão. A intenção é que a situação já comece a ser amenizada no início da semana.

Neste momento, o presidente Temer está participando da terceira reunião do dia para discutir as operações que serão realizadas para garantir o abastecimento da população, em todos os níveis. Nesta reunião, estão presentes os ministros da Casa Civil, da Defesa, do Gabinete de Segurança Institucional, Segurança Pública, Advocacia Geral da União e Secretaria de Governo, entre outros. Neste encontro deverá ser assinado o decreto de respaldo juridico de emprego das Forças Armadas e direcionadas as primeiras ações, de Garantia da Lei e da Ordem.

O Comando de Operações Terrestres, do Comando do Exército, e o Comando do Estado Maior da Defesa estão desenhando a forma como será feita a desobstrução de áreas críticas e o local do início dos trabalhos. O momento da execução da operação será imediato, tão logo o presidente Michel Temer assine o decreto respaldando juridicamente a ação das tropas federais. A ideia inicial é que os militares possam assumir a direção dos caminhões e retirá-los das refinarias, para garantir que o combustível chegue aos aeroportos, portos e áreas essenciais.

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