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Temer reconhece pessimismo, mas nega crise econômica

Vice-presidente diz que País passa por dificuldades transitórias, que serão superadas pelas ações do governo, em conjunto com o Congresso

Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2015 | 16h21

SÃO PAULO - O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou nesta sexta-feira que não se pode desconhecer que o Brasil passa por um momento de dificuldades. "Reconheço que passamos uma fase de pessimismo, mas não devemos incentivar isso, temos de ser otimistas", afirmou, em evento no Secovi, na capital paulista, onde fala sobre reforma política.

Ao falar da atual crise, Temer disse que é preciso dimensioná-la. "Vejo que muitos usam a palavra (crise) indiscriminadamente", disse, argumentando que existe a pior das crises, que é a institucional. "E digo com a maior tranquilidade que não temos essa crise no País. Temos dificuldades transitórias que poderão ser superadas pelas ações do governo, em conjunto com o Congresso Nacional, já que o governo não governa sozinho".

Em seu pronunciamento, Temer disse que é preciso incrementar o diálogo entre as instituições do governo e incentivar esse mesmo diálogo também com a sociedade. "Nós do governo temos de entender que, quando o povo se manifesta, não é para destruir o Estado ou o País, mas ao contrário, é para melhorar. Quando setores se manifestam, temos de estar com os ouvidos atentos a isso, até porque isso é democracia. Não temos de nos assustar com essas manifestações populares. Eu até aplaudiria, porque é um alerta para o governo buscar soluções, o que não se pode é acirrar os conflitos sociais."


Segundo o vice-presidente da República, embora o País atravesse uma fase econômica mais difícil, os ajustes propostos pelo governo devem tirar o Brasil dessa situação. E citou, como exemplo, as medidas que alteram benefícios trabalhistas, bastante criticadas pelas centrais sindicais. "Por exemplo, a questão do auxílio-doença, quando vem a público, parece que vai mudar radicalmente. Mas não, é um aprimoramento do sistema que vai ajudar a União a ter uma economia saudável."

Sobre o combate à corrupção, Temer disse que aumentou a exigência da eficiência em vários campos. "Mas o combate à corrupção é algo posto na pauta, o problema é saber se está sendo apurada. E a apuração tem sido feita em vários setores." E continuou: "Ninguém está jogando a corrupção para debaixo do tapete, estamos apurando a corrupção até as últimas consequências."

Críticas. Antes da fala de Temer, o presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, criticou o atual momento do País dizendo que todos estão cansados de tanta corrupção. "Tem um basta entalado na garganta do povo brasileiro", disse Bernardes, cobrando das autoridades ações mais duras contra os que praticam tais ações criminosas.

Em seu breve pronunciamento, o presidente do Secovi-SP disse também que o País está diante de uma crise institucional e política preocupante. "Crises econômicas são cíclicas, já superamos muitas. Mas, a de hoje está ligada a uma crise política de grandes proporções", disse, reiterando que todo este cenário de incertezas leva empresários a uma grande letargia e receio de investimentos. "Esta crise, seu vice-presidente, tem de servir para dar um passo definitivo em relação à mudança no nosso modelo político", reivindicou.

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