World Economic Forum/Ciaran McCrickar
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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Temer se distancia de ‘atalho populista’

Falando a investidores em Davos, presidente citou guinada econômica em seu governo e chegou a prever vitória da racionalidade nas eleições

Rolf Kuntz, enviado especial, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2018 | 23h17

DAVOS – Não há espaço para retorno, a pauta de reformas será mantida e ninguém deve recear o resultado das eleições, disse o presidente Michel Temer numa sessão plenária do Fórum Econômico Mundial. Num discurso dirigido principalmente a empresários e investidores, ele insistiu em contrastar seu governo com o modelo populista do período anterior. O eleitorado, chegou a prognosticar, votará neste ano a favor da racionalidade. 

O binômio populismo e nacionalismo é tema importante em Davos, neste ano, mas associado basicamente às políticas do presidente americano Donald Trump, ao abandono da União Europeia pelo Reino Unido e ao fortalecimento da direita em algumas áreas da Europa. A economia global voltou a crescer, mas a democracia está em recessão, têm observado analistas. 

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O discurso de Temer encaixou-se nessa moldura. Pode ter sido de forma deliberada ou por acaso, mas ele bateu nos contrastes entre racionalidade e populismo, legalidade e autoritarismo, abertura comercial e protecionismo, cooperação e nacionalismo. O presidente descreveu o Brasil de hoje como um país em busca de acordos de comércio. Citou a expectativa de um pacto, em breve, com a União Europeia. Falou de interesse em negociar com novos parceiros. Mencionou o retorno do Mercosul ao objetivo inicial de integração nos mercados globais. Reafirmou o compromisso com as metas ambientais do Acordo de Paris.

Algumas das afirmações, como a referência à vocação do Mercosul, são negações do petismo. Outras, como a recusa do protecionismo e o apoio às metas internacionais de preservação ambiental, contrastam com as políticas de Trump, previsto para se apresentar na sexta-feira, 26. 

Temer organizou o discurso, em português, com base em cinco palavras: responsabilidade, diálogo, eficiência, racionalidade e abertura. Cada uma foi usada para denotar aspectos da política de seu governo. 

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A noção de responsabilidade, por exemplo, foi invocada para descrever a rejeição de “atalhos populistas”. A palavra diálogo foi escolhida para descrever o esforço de união e a busca de entendimento entre Executivo e Congresso. Não houve referência ao custo desse entendimento nem aos benefícios concedidos, em dinheiro ou de outra forma, em troca de votos a favor de objetivos do governo. Nada foi dito, nem perguntado, sobre o interesse do PTB na escolha da deputada Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho. 

Eficiência foi vinculada à busca de produtividade e a reformas como a trabalhista. Racionalidade foi exemplificada com a mudança de critérios de privatizações e a nova lei sobre administração das estatais (com rememoração, novamente, dos padrões populistas). A abertura, especialmente comercial, completou o conjunto.

O balanço foi completado com referências à nova etapa de crescimento, depois da longa recessão (lembrada como herança do populismo irresponsável), à inflação reduzida de mais de 10% para menos de 3% ao ano e aos avanços na pauta de ajustes e reformas. 

Terminado o discurso, o presidente Michel Temer só teve de responder a poucas e suaves perguntas do fundador e dirigente do Fórum, Klaus Schwab. Aproveitou a ocasião para se dirigir aos investidores apresentando a segurança jurídica como fator de tranquilidade para quem aplica dinheiro no Brasil. 

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A próxima reunião do Fórum na América Latina será no Brasil, em março. No ano passado foi na Argentina.

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