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Temer vai a programas de TV para falar de reforma da Previdência

Presidente intensifica agenda de entrevistas e pede apoio a líderes religiosos para aprovar a proposta de mudanças

Carla Araújo, Cláudia Trevisan e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2018 | 05h00

BRASÍLIA, NOVA YORK e SÃO PAULO - Longe dos 308 votos necessários na Câmara para aprovar a reforma da Previdência no mês que vem, o presidente Michel Temer continua investindo em estratégias para angariar apoio às mudanças nas regras para aposentadoria no Brasil.

A aposta de Temer tem sido intensificar a agenda de entrevistas, incluindo participação em programas populares, como também pedir que ministros façam encontros com empresários – Carlos Marun (Secretaria de Governo) esteve nesta terça-feira, 16, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e nesta quinta-feira, 18, vai para Belo Horizonte para falar com empresários.

No Palácio da Alvorada, Temer recebeu o jornalista Amaury Junior. A entrevista vai ao ar no dia 27 à noite, quando o apresentador vai estrear um programa na Band. O presidente grava na quinta-feira em São Paulo programas para o SBT.

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Na semana passada, em conversa com Silvio Santos, ficou acertado que Temer participaria de programa com auditório e também do programa do Ratinho. A estratégia é tentar ampliar a aceitação da sociedade pela reforma e diminuir o peso do discurso de parlamentares de que o voto pela reforma pode atrapalhar as eleições.

Ceticismo. Entre os parlamentares, há dúvidas se a reforma passa. Em encontro na Câmara de Comércio Brasil-EUA, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse ontem que encara “sem nenhum tipo de otimismo” a votação da reforma. Para ele, esse é prazo limite para análise da proposta neste ano. “Se você não conseguir votar em fevereiro, você não conseguirá votar mais.”

A jornalistas, Maia negou que tenha sido pessimista em sua avaliação. “Eu não posso ir para nenhum ambiente no Brasil ou no exterior e mentir. Já tem muito político mentiroso no Brasil, né? Acho que chega. Está na hora de a gente falar a verdade, e a reforma da Previdência não é uma votação simples.”

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A declaração causou mal-estar entre os pares. “O presidente Rodrigo – que é um dos baluartes desse processo de aprovação da reforma – talvez, nesses dias que se ausentou do País, não esteja com as informações suficientes que nós temos”, rebateu Marun. “Temos uma reunião na segunda-feira, quando o Rodrigo volta do exterior, e tenho certeza que o seu otimismo retornará.”

Marun voltou a repetir que o governo trabalha com um cenário mais positivo para a aprovação da reforma após o fim do recesso. Ele não quis revelar o número de votos que contabiliza em favor do projeto, lembrando que Brasília ainda está esvaziada por conta do recesso parlamentar, mas que isso deve acontecer à medida em que os deputados voltem de suas bases. “Nós não temos plano B, o plano é colocar a votação da Previdência nos dias 19 a 21. Esse é o pensamento do presidente Rodrigo Maia.”

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Fé. Outra frente que o presidente tem buscado apoio é em conversas com lideranças religiosas. Na segunda-feira, 15, Temer recebeu no Planalto o Apóstolo Valdemiro Santiago, Fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, para pedir apoio pela reforma. Nesta terça-feira, 16, foi a vez do Pastor José Wellington, Presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em São Paulo.

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