Temor com bancos cresce nos EUA e Bovespa despenca 3,19%

Mercado em São Paulo registra queda mesmo com recuperação das bolsas norte-americanas nesta tarde

Aluísio Alves, da Reuters,

17 de março de 2008 | 17h54

A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o pregão desta segunda-feira em forte queda, refletindo o temor internacional de que mais instituições financeiras dos Estados Unidos enfrentem crise de liquidez. O Ibovespa teve baixa de 3,19%, aos 60.011,8 pontos. O volume de negócios somou R$ 6,99 bilhões, inflado pelo tímido exercício de opções de R$ 581,6 milhões.  Veja também:Crise externa eleva dólar pelo terceiro dia consecutivo BCs injetam recursos para socorrer bancosCrise no mercado global está maior, diz diretor-gerente do FMIJPMorgan compra o Bear Stearns por US$ 236 milhões Entenda a crise nos Estados Unidos   O sobe e desce do dólar Veja os efeitos da desvalorização do dólarJPMorgan e Fed intervêm para socorrer seguradora dos EUA       Segundo profissionais do mercado, a compra do Bear Stearns pelo JP Morgan e a adoção de medidas adicionais do Federal Reserve para prover liquidez a instituições financeiras dos EUA, anunciadas no domingo, acirraram os temores de que a crise de crédito no país possa se alastrar.  No meio do dia, as ações do Lehman Brothers, instituição que na semana passada captou US$ 2 bilhões para garantir liquidez, chegaram a cair 43%.  Diante de um horizonte ainda mais incerto para a economia norte-americana, investidores estrangeiros decidiram desmontar posições em ações de empresas domésticas, a começar por Petrobras e Vale, as de maior liquidez, disseram especialistas.  "A Bovespa tinha caído bem menos do que as bolsas de Nova York no ano. Agora, o mercado está realinhando preços", disse Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora.  Até sexta-feira, o Ibovespa acumulava perda de 3% em 2008, enquanto a baixa do índice industrial Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, era de 10% no período. O Dow Jones recuperou-se no final da tarde e fechou em alta de 0,18%.  Blue chips lideram perdas Os papéis de Petrobras e Vale, que vinham resistindo a quedas mais pronunciadas, foram os principais alvos de venda.  Os papéis ordinários da mineradora desabaram 6,1%, a R$ 55,33, enquanto os da petroleira caíram 5,3%, a R$ 89,00 reais, liderando as perdas do Ibovespa.  A queda de mais de 4% da cotação do barril de petróleo do tipo WTI também pesou sobre a Petrobras, cujos papéis preferenciais recuaram 3,8%, a R$ 73,83.

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