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Temor com bancos nos EUA cresce e derruba bolsas no mundo

Onda de boatos durante a tarde, sobre possível estatização de bancos, fez com que Casa Branca divulgasse nota

Da Redação,

20 de fevereiro de 2009 | 18h16

Os bancos, novamente no olho do furacão, puxaram as bolsas do exterior para novas mínimas, com investidores desorientados diante das especulações em torno de uma eventual estatização do Bank of America e do Citigroup e da ameaça de quebra do sigilo bancário das instituições na Suíça. Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise A onda de boatos durante a tarde, sobre o receio de que o Citigroup e o Bank of America estejam próximos de ser estatizados, fez com que a Casa Branca divulgasse uma nota reiterando que prefere que os bancos fiquem fora do controle do governo. "Este governo continua acreditando fortemente que o sistema bancário privado é o caminho correto a seguir", disse o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs. Ao lado do setor bancário, derreteram também papéis dos setores de mineração, após um anúncio de 19 mil demissões pela britânica Anglo American; de construção, frente ao decepcionante balanço da gigante francesa de cimento Lafarge; e as montadoras. A unidade sueca da General Motors, a Saab, sem encontrar quem lhe concedesse crédito, recorreu à proteção judicial. Com este cenário, o índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,34%, aos 7.365 pontos. A Nasdaq caiu 0,11%. Na Europa, os principais mercados de ações fecharam em baixa, com algumas bolsas renovando a mínima do ano, como Londres e Frankfurt, enquanto Madri fechou no nível mais baixo desde final de 2003. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair quase 4%, mas reduziu a queda para 2,56%. No mercado de câmbio, o dólar fechou cotado a R$ 2,3890, em alta de 1,62%. Foi a quinta sessão consecutiva de alta. A cotação da moeda norte-americana chegou a ultrapassar os R$ 2,40 durante à tarde. Na semana, o dólar no balcão subiu 5,52% ante o real e, no mês, apura ganho de 3,20%. Bancos preocupam Ontem à noite, o site de análise técnica ChartingStocks.net afirmou que o Citi e o Bank of America "não viveriam para ver maio" e teriam o controle assumido pelo governo dentro dos próximos 60 dias. O site afirmou que um anúncio poderia ser feito ainda esta noite. Mas o porta-voz do Bank of America, Scott Silvestri, disse à agência Dow Jones que "não vê motivos para estatizar um banco que é lucrativo, bem capitalizado e está ativamente emprestando". Nesta sexta, o porta-voz do Citigroup, Shannon Bell, afirmou que "a base de capital do Citi é muito forte e nosso nível de capital Tier 1, conforme medido no quarto trimestre, era de 11,9%, entre os mais elevados da indústria". Ken Lewis, executivo-chefe do Bank of America, afirmou por meio de um porta-voz que não há motivo para estatizar o banco, respondendo novamente aos comentários e rumores de que o BofA pode, em breve, passar a ser controlado pelo governo. "Nossa companhia continua lucrativa", disse um porta-voz do BofA, falando em nome de Lewis. "Não vemos motivos por que uma companhia lucrativa, bem capitalizada, com bons níveis de liquidez e que continua a emprestar ativamente deveria ser estatizada."  "A especulação sobre a estatização é baseada na falta de entendimento da posição financeira de nosso banco e na escassez de compreensão das ramificações adversas para os nossos clientes e para a economia", acrescentou. Lewis continua argumentando que o BofA teve lucro em 2008, enquanto outros bancos divulgaram prejuízos de bilhões de dólares. O executivo-chefe, assim como muitos analistas, afirma que o Bank of America terá lucros significativos uma vez que a economia esteja recuperada.  No entanto, independentemente do que Lewis diz ou faz, a ideia de o governo norte-americano assumir o controle do banco, antes impensável, persiste entre os investidores. Durante semanas as ações do BofA caíram em meio aos receios, rumores e, mais recentemente, afirmações públicas de figuras outrora conservadoras de que o governo um dia estatizara a companhia. As ações do banco chegaram a atingir o menor nível em 52 semanas recentemente e atualmente opera 76% abaixo do preço registrado no primeiro dia do ano. Mais cedo, o porta-voz do BofA, Scott Silvestri, numa tentativa de minimizar os rumores do mercado sobre a potencial estatização, afirmou à agência Dow Jones que "não vê motivos para estatizar um banco que é lucrativo, bem capitalizado e que está emprestando ativamente".  Apesar disso, acadêmicos e congressistas continuam levantando questões sobre a estatização, contribuindo para pressionar as ações da instituição. Na quarta-feira, o ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, desconcertou alguns investidores após afirmar ao jornal Financial Times que "pode ser necessário estatizar temporariamente alguns bancos para facilitar uma reestruturação ágil e organizada."  No mesmo dia, o senador republicano Lindsey Graham disse à agência de notícias Reuters que, se um banco não conseguir ser aprovado no teste de estresse do Departamento do Tesouro dos EUA, então a estatização é uma das opções para os reguladores.  Para Joseph Battipaglia, estrategista-chefe da Stifel Financial, os executivos dos bancos "não vão admitir nada sobre isso até poucos dias antes de uma estatização". "Sem o apoio do Fed e do Tesouro aqui e acolá, eles já seriam insolventes." Mercado interno O principal destaque do mercado doméstico nesta sexta-feira foi Vale. As ações derreteram mais de 8% no pior momento do pregão, com a reação negativa dos investidores ao balanço apresentado na noite de ontem. Pelo padrão brasileiro, a mineradora registrou aumento de 136,8% no lucro de outubro a dezembro de 2008, mas, pelos padrões norte-americanos (US Gaap), houve queda de 46,9%. A Vale teve lucro líquido de US$ 1,367 bilhão em US Gaap no quarto trimestre de 2008, ante US$ 2,573 bilhões um ano antes. Tal desempenho também foi inferior a algumas estimativas, como a do Credit Suisse (o resultado foi 31% menor do que sua previsão) e do UBS, que classificou o resultado como "desapontador". Além do balanço, também pressionou o setor a queda de quase 30% no lucro líquido da mineradora Anglo American em 2008. A empresa também anunciou o corte do pagamento de dividendos e a demissão de 19 mil funcionários para enfrentar a desaceleração global. Os metais também recuaram hoje.  As ações ordinárias (ON) da Vale terminaram em baixa de 7,97% e as preferenciais (PNA), de 6,68%. Gerdau PN recuou 6,32%, Metalúrgica Gerdau PN, 6,79%, Usiminas PNA, 2,74%, CSN ON, 1,58%.

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