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Temor com crédito volta a pesar e Bovespa cai mais de 3%

O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 1,9260, em alta de 2,12%. O risco Brasil subiu 13 pontos, para 188 pontos-base. Nos Estados Unidos, as bolsas caíram mais de 2%

Agência Estado,

09 de agosto de 2007 | 17h08

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em forte baixa nesta quinta-feira, com notícias sobre congelamento de resgates em fundos do BNP Paribas intensificando a preocupação com os problemas de crédito no mundo. As principais bolsas no globo registraram baixas acentuadas e o mercado acionário brasileiro seguiu o movimento. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tentou acalmar os investidores. No Brasil, a tarefa ficou para o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Veja também:Entenda os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA Veja o fechamento dos mercados Entenda a queda das bolsas nesta quinta-feira  Bush: mercado é forte o suficiente para arcar com criseCenário do crédito nos EUA reacende alerta sobre bancos alemãesGrande investidor processa Bear Stearns por colapso de fundo Mas nada disso conseguiu conter a queda das bolsas. O Ibovespa - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - recuou 3,28%, para 53.430 pontos, segundo dados preliminares. O volume financeiro ficou em R$ 4,1 bilhões, em linha com a média diária do ano, e apenas 5 dos 59 papéis do índice subiram.  O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 1,9260, em alta de 2,12%. O risco Brasil - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do país - subiu 13 pontos, para 188 pontos-base.  A aversão ao risco também atingiu as bolsas norte-americanas e européias. O Dow Jones - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 2,83%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - caiu 2,16%. O principal índice das ações européias caiu quase 2%. Em Londres, o índice Financial Times fechou em baixa de 1,92%. Em Frankurt, o índice DAX recuou 2%. Em Paris, o índice de ações caiu 2,17%. Em Milão, o índice Mibtel encerrou em baixa de 1,38%. Em Madro, o índice Ibex-35 registrou perda de 1,11% e em Lisboa, baixa de 1,01%. Mais um sinal amarelo Nesta quinta-feira, mais uma luz amarela acendeu para os investidores. O francês BNP Paribas congelou fundos de mais de US$ 2 bilhões. Isso porque, com a situação americana e a queda na liquidez (oferta de dinheiro), o banco não conseguiu calcular o valor "justo" dos ativos que compõem estas carteiras. Outro fundo que pode vir a ter problemas é o norte-americano Tykhe Capital, que administra US$ 1,8 bilhão. Segundo um investidor do fundo, a carteira amargou perdas de cerca de 20% em agosto e está tentando ajustar rapidamente suas posições. A venda de ativos pela Tykhe e por uma série de hedge funds similares está pressionando as ações de vários outros fundos. O fato é que estes fundos compram carteiras de crédito imobiliários como ativos de investimento. No mercado imobiliário subprime (de risco), os índices de inadimplência têm crescido e isso prejudica todo o mercado de imóveis.  Os fundos de investimento amargam prejuízos por conta disso. A escassez de recursos nos mercados levou o Banco Central Europeu (BCE) a intervir para garantir os negócios. Ele injetou 94,8 bilhões de euros nos mercados de moeda da zona do euro nesta quinta-feira, para ajudar a abrandar a tensão provocada pelo setor de crédito. A idéia que fica é que as incertezas sobre a extensão da crise imobiliários nos Estados Unidos aumentaram.A falta de liquidez também fez com que as taxas de juros no mercado europeu atingissem o maior nível em seis anos. Nos Estados Unidos, o banco central americano também realizou duas injeções de dinheiro no mercado aberto, oferecendo US$ 12 bilhões em cada uma delas, logo após a intervenção do Banco Central Europeu. Panos quentes Em uma coletiva na manhã desta quinta-feira, o presidente dos EUA ressaltou que os fundamentos econômicos dos Estados Unidos são fortes - apesar da turbulência no mercado imobiliário do país - graças à baixa inflação, sólido mercado de trabalho e uma economia global saudável. Contudo, rejeitou a possibilidade de uma operação de salvação das construtoras de imóveis. Mantega também procurou transmitir tranqüilidade aos investidores neste momento de maior turbulência no mercado internacional. Segundo ele, não há receio em relação ao Brasil, "que está no time dos países sólidos habilitados a enfrentar maior ou menor nervosismo". "Os investidores continuam olhando com segurança para o Brasil", disse em rápida entrevista na portaria do Ministério da Fazenda .  Ele disse ter consultado a área técnica do Tesouro Nacional e verificou que não houve pressão de venda dos títulos do governo brasileiro. O ministro insistiu que a economia brasileira está muito sólida para enfrentar estas turbulências e que não está faltando dinheiro ao País. "O Brasil tem dólares sobrando", disse, citando que as reservas internacionais estão US$ 100 bilhões acima do verificado em março do ano passado. Segundo o ministro, não falta liquidez à economia brasileira. Apesar de os ativos domésticos estarem reagindo à turbulência externa, Mantega chegou a dizer que este nervosismo não chegou ao País. Ele comentou ainda o quadro internacional lembrando que tem ocorrido um efeito dominó a partir do mercado de crédito imobiliário de alto risco norte-americano.

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