Temor com Dubai diminui e Bovespa sobe; dólar cai a R$ 1,73

Dados positivos da indústria chinesa e medidas anunciadas pelo Banco do Japão trazem otimismo ao mercado

estadao.com.br,

01 de dezembro de 2009 | 12h07

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em alta nesta terça-feira, 1, com o otimismo que ressurge no primeiro pregão de dezembro devido a dados positivos vindos da Ásia e à diminuição dos temores em relação à dívida de Dubai. Às 12h10 (de Brasília), o Ibovespa subia 1,l67%, ultrapassando os 168 mil pontos. No mesmo horário, o dólar caía 1,23%, cotado a R$ 1,73. Puxadas pela alta das commodities, Vale PN subia 1,37% e ON 1,80%. Já Petrobrás PN tinha alta de 1,26% e ON avançava 1,34%.

 

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Os receios sobre o calote de Dubai vão ficando para trás, o que abre espaço para a retomada da busca por ativos de risco nos mercados internacionais. Dezembro começa com disposição para a compra de ações e moedas europeias, além de commodities. Na Europa, às 12h13 (de Brasília), as bolsas de Londres (+1,80%), Paris (+1,90%) e Frankfurt (+2,00%) avançavam. Nos EUA, os índices futuras também operam em alta.

 

O apetite ao risco voltou e encontra sustentação nos dados divulgados na China, indicando expansão da atividade industrial pelo oitavo mês consecutivo. As medidas extraordinárias anunciadas pelo Banco do Japão, com injeção de cerca de US$ 115 bilhões no sistema financeiro, também contribuem para o clima positivo do dia. Na Austrália, o banco central promoveu a terceira elevação consecutiva de juro.

 

Apesar do abalo na confiança trazido pelo anúncio do emirado na semana passada, prevalece a avaliação de que a paralisação no pagamento da dívida do conglomerado Dubai World não tem impacto suficiente para desencadear a segunda perna do "W", que representaria novo mergulho da atividade econômica.

"O movimento do mercado (após Dubai) não é o fim do mundo, mas apenas o fim do ano", escreve o estrategista-chefe de câmbio do HSBC, David Bloom. "Os eventos em Dubai são uma herança da crise e não um catalisador para uma nova."

 

Afirmação na mesma linha fez na segunda-feira o economista-chefe do Standard Chartered, Gerard Lyons. Para ele, o emirado não tem tamanho suficiente para provocar um novo abalo global. Vale lembrar que os bancos britânicos, HSBC e Standard Chartered entre eles, são os mais expostos à dívida de Dubai.

 

De qualquer forma, é fato que o risco de crédito atrelado aos governos segue como ingrediente para 2010. A explosão dos déficits públicos durante o combate à crise é um tema presente, embora tenha sido encoberto pelo rali dos últimos meses. Na Europa, os olhares mais cautelosos estão voltados para a Grécia, onde o tamanho da dívida pública é motivo de muita preocupação, inclusive já com reflexo prático no rebaixamento recente do seu rating.

 

Já a luta do Japão é contra a deflação e a valorização do iene, capazes de emperrar a retomada. Tanto que o Banco do Japão anunciou que emprestará aos bancos até 10 trilhões de ienes (US$ 114,984 bilhões) para três meses a juros de 0,1%, aceitando como garantias títulos corporativos e do governo e commercial papers.

 

A medida foi definida em reunião extraordinária nesta terça, mas não abalou o iene. Isso porque, ao anunciar o encontro, o Banco do Japão criou a expectativa de ferramentas mais pesadas para estimular a atividade, como um programa de afrouxamento quantitativo. O caminho escolhido não foi visto como forte o suficiente para provocar os efeitos desejados. "Isso não será suficiente para mudar o rumo do iene", diz Chris Turner, estrategista de câmbio do ING.

 

Situação bem diferente é a da Austrália, já em rota de aperto monetário, tendo em vista a velocidade da recuperação. O BC australiano elevou o juro em 0,25 ponto porcentual, para 3,75%, a terceira alta consecutiva. "Sem crise bancária e com um significativo setor exportador de commodities, a Austrália dispensa suporte emergencial de liquidez", diz Paul Donovan, do UBS.

 

Ásia

 

As bolsas da Ásia continuaram em recuperação nesta terça-feira. A redução das preocupações com a crise de dívida do Dubai World, dos Emirados Árabes Unidos, e os bons números da economia chinesa alavancaram os pregões. As ações em Dubai, no entanto, tinham outro dia de forte queda, de 5,8%.

 

Estes foram fatores que fizeram o índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, avançar 291,65 pontos, ou 1,3%, e terminar aos 22.113,15 pontos. As companhias ligadas à China lideraram os ganhos entre as blue chip. Entre os bancos, Banco Industrial e Comercial da China adicionou 2,3%, China Construction Bank subiu 2% e Bank of China faturou 1,6%. Air China decolou 9,8%. Zijin Mining saltou 6,5%.

 

As Bolsas da China fecharam em alta expressiva pelo segundo pregão seguido, após duas pesquisas nacionais indicarem que a atividade industrial continuou a se expandir em novembro. O Xangai Composto subiu 1,3% e encerrou aos 3.235,36 pontos. Já o Shenzhen Composto avançou 2,3% e terminou aos 1.212,60 pontos.

 

Já a Bolsa de Taipé, em Taiwan, seguiu em alta, com ganhos em quase todos os grandes setores. O Taiwan Weighted subiu 0,9% e encerrou aos 7.649,23 pontos. Os bancos tiveram um dos melhores desempenhos, com Mega em elevação de 4,4%.

 

Na Bolsa de Seul, na Coreia do Sul, os bancos e empresas exportadoras lideraram a alta, em meio à diminuição das incertezas sobre a crise da dívida de Dubai. A cautela sobre a recuperação dos gastos dos consumidores nos EUA impediu uma alta acentuada. O índice Kospi ganhou 0,9%, para 1.569,72 pontos.

 

(com Ricardo Criez, Hélio Barboza e Daniela Milanese, da Agência Estado)

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