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Temor com 'vitimas' do subprime volta a atormentar mercados

Bovespa abre em queda de 1,26%, após sete dias de alta; Ásia e Europa também cedem

João Caminoto, da Agência Estado ,

28 de agosto de 2007 | 10h13

As incertezas com o impacto da crise das hipotecas subprime (setor de empréstimos de alto risco) sobre os mercados financeiros em geral voltam a impor uma forte cautela nos negócios nesta terça-feira, 28. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu o dia em queda, após subir pelo 7º dia seguido na segunda-feira. Às 10h06, o principal índice da Bolsa caía 1,26%, aos 52.408 pontos. No mercado de câmbio, o dólar subia 0,92%, cotado a R$ 1,969. Veja também:Dados dos EUA puxam alta dos mercados asiáticosA cronologia da crise financeira  Como enfrentar os riscos e prejuízos da crise  Entenda a crise e veja a opinião do governo e de especialistas   As principais bolsas européias também operam em baixa, inclusive a de Londres, que ficou fechada na segunda-feira devido a um feriado no Reino Unido. Na Ásia, os principais pregões registraram perdas. O iene voltou a mostrar uma tendência de fortalecimento diante de outras moedas, sinalizando mais desmontagens de operações de carregamento (carry trades) e, conseqüentemente, mais aversão ao risco. As preocupações dos investidores estão concentradas nesta terça em tentar avaliar quais as próximas instituições financeiras a anunciarem perdas por causa de sua exposição ao setor subprime. As ações do Barclays caíram mais de 1,5% nesta manhã após o jornal Financial Times ter noticiado que o braço de investimentos do banco britânico tem uma exposição de centenas de milhões de dólares a veículos de crédito com problemas através do banco alemão Sachsen LB. Segundo o FT, o Barclays criou uma unidade, conhecida como SIV - Lite, para o Sachsen LB in maio passado, com ativos de cerca de US$ 3 bilhões, sendo boa parte dessa quantia vinculada a hipotecas subprime e prime dos Estados Unidos. Mas um porta-voz do Barclays negou que o banco tenha oferecido esse financiamento. Ações de outros bancos europeus também estão sendo penalizadas nesta manhã. "Todo mundo desconfia que por um longo período, dia sim, dia não, teremos noticias negativas relacionadas às perdas de bancos e fundos por causa do subprime", disse um estrategista de um banco espanhol. "O temor é que essas perdas se transformem num problema mais grave para o setor financeiro em geral." Economia real Além das preocupações com a exposição de bancos e fundos ao setor subprime, investidores continuam temendo o impacto dessa crise sobre a economia real. "A dificuldade com a situação atual é que o impacto real dos problemas no mercado de crédito ocorridos no mês passado vai demorar meses para emergir", disse Adrian Schmidt, economista do Royal Bank of Scotland.  "Embora algumas pesquisas de confiança mostrarão alguma fraqueza real em agosto, vai levar tempo para que os indicadores concretos exibirem um enfraquecimento concreto. "Segundo ele, isso deve começar ocorrer apenas no final de setembro ou outubro. Na agenda desta terça, um dos destaques é a divulgação da ata da última reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve (FOMC), realizada no dia 7 de agosto. "A ata deve refletir o aumento da preocupação com as condições nos mercados financeiros e incluir uma discussão sobre as implicações para o crescimento econômico", disse Peter Redward, do banco Barclays Capital. "No que diz respeito à inflação, a ata deve também revelar algum desconforto com as revisões altistas para os custos salariais, bem como com a taxa de desemprego". Para os estrategistas do banco WestLB, o dado importante do dia será o índice de confiança do consumidor do Conference Board. "A crise do subprime deve ter deixado sua marca no ambiente para o consumo", afirmaram. "A ata do FOMC vai atrair muito menos interesse desta vez pois a avaliação que ela contém foi atropelada pelos eventos em torno da crise subprime."

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