Temor como inflação empurra Bolsa abaixo dos 67 mil pontos

Ao fechar em baixa de 1,45%, a Bovespa caiu abaixo de 67 mil pontos, em 66.794,8 pontos

Claudia Violante, da Agência Estado,

11 de junho de 2008 | 18h01

Os temores trazidos pela pressão inflacionária no Brasil e no mundo fizeram com que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caísse pela quarta sessão consecutiva, acumulando em junho perdas de 7,99%. A alta do petróleo no mercado internacional amplificou a reação aos fortes índices de preços que saíram esta manhã no mercado doméstico, e também ajudou a empurrar as bolsas norte-americanas para baixo.   Veja também: Entenda a crise dos alimentos    Entenda os principais índices de inflação Inflação em SP acelera com maior alta dos alimentos em 6 anos Prévia do IGP-M acelera para 1,97%; a maior alta desde 2002   Ao fechar em baixa de 1,45%, a Bovespa caiu abaixo de 67 mil pontos, em 66.794,8 pontos. O índice oscilou entre a mínima de 66.715 pontos (-1,56%) à máxima de 68.061 pontos (+0,42%). Apesar da queda acumulada em junho, no ano a Bolsa ainda acumula alta, de 4,55%. O volume financeiro negociado totalizou R$ 6,347 bilhões (preliminar).   O dólar no mercado à vista fechou em queda e nas mínimas da sessão, pressionado pelo fluxo cambial positivo e o recuo externo da moeda e das bolsas norte-americanas em meio ao aumento dos preços do petróleo. No fechamento, o pronto caiu 0,36%, para a mínima de R$ 1,640 na roda da BM&F, e -0,30%, a R$ 1,642 no balcão.   Os três índices de preços que saíram hoje foram muito salgados, mas atendo-se apenas ao principal, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - que baliza a meta de inflação - teve a maior alta mensal desde abril de 2005, ao subir 0,79%.   O repique indica que o Banco Central terá que ter mão forte para conseguir manter a inflação no centro da meta (4,5%), ou pelo menos dentro da banda de oscilação (2,5% a 6,5%). As previsões já começaram a ser revistas e, numa delas, a FGV previu que a Selic deve fechar 2008 em 15,25% ao ano, ou seja, três pontos porcentuais acima do que está hoje.   Esta elevação nos preços prejudica as ações em três frentes. Afeta as empresas, principalmente de consumo, ao pesar sobre o crédito ao consumidor, arrefecendo a demanda; encarece empréstimos também para as companhias; e, por fim, aumenta a atratividade à renda fixa, que promete um retorno considerável com muito menos risco e volatilidade do que as bolsas de valores.   Os analistas, no entanto, ainda não estão refazendo as projeções para o Ibovespa em 2008, mas acreditam que o ciclo baixista ainda não acabou e já falam em tombo para 65 mil pontos - isso se o próximo ponto gráfico, de 66,6 mil pontos for rompido. O que não deve ser difícil de acontecer logo, já que a agenda segue carregada de indicadores, principalmente nos Estados Unidos.   Os últimos índices divulgados lá sinalizaram com mais vigor uma recessão. O que por si só já é um problema. Mas a inflação também está pressionando por lá, o que deixa o Fed de mãos atadas: se elevar os juros para coibir a alta dos preços, pode gerar uma estagflação.   O petróleo em alta neste cenário só prejudica, ao dar mais fôlego para a inflação. Hoje, o contrato para julho da commodity fechou em alta de 3,86%, a US$ 136,38. Com isso, e também com as ações do setor financeiro em baixa, o Dow Jones recuou 1,68%, o S&P, 1,69%, e o Nasdaq, de 2,24%.   Petrobras, apesar da alta do petróleo, teve fechamento misto. As ações ordinárias subiram 0,18% e as preferenciais caíram 1,30%. Vale foi uniforme: ON recuou 3,10% e PNA, 2,10%.

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