Temor de impostos faz empresas dos EUA anteciparem dividendos

Taxa sobre distribuição de lucros pode aumentar como resultado das negociações para evitar o abismo fiscal

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h05

As incertezas sobre as negociações políticas para evitar o abismo fiscal estão levando as empresas americanas a acelerar a distribuição de lucros. Nada menos que 160 grandes empresas, como Oracle, Walmart e Dillard's, anunciaram nos últimos dias que vão antecipar a distribuição de resultados ou criaram um dividendo especial para distribuir até o fim do mês.

A estratégia das empresas não é ilegal e tem como objetivo evitar um aumento de taxas sobre a distribuição de lucro, que pode ocorrer a partir de janeiro. Por isso, as companhias correm para distribuir lucros até o dia 31. A empresa de tecnologia Oracle, por exemplo, antecipou para este mês três pagamentos de dividendos que faria em 2013.

No governo do presidente George W. Bush, dentro do programa de corte de impostos para estimular a economia americana, a taxa máxima sobre os dividendos caiu para 15%. Assim como outros tributos nas discussões do abismo fiscal, essa taxa termina de forma automática em janeiro, se o Congresso americano não chegar a um acordo.

No pior cenário, a taxa máxima para os dividendos pode ir para 43%. Por isso, as empresas resolveram antecipar a distribuição de dividendos referentes, por exemplo, ao quarto trimestre, que seriam pagos só no início de 2013. Outras optaram por criar um dividendo especial.

O banco de investimento Keefe, Bruyette & Woods escreveu a clientes que vê aumento das alíquotas mesmo que o abismo fiscal seja evitado. Elas subiriam para compensar outras taxas que continuariam inalteradas. A previsão é que elas fiquem em 20%.

Entre as empresas que resolveram criar dividendos especiais, um fato que vem chamando atenção de Wall Street são companhias nas quais o controlador tem a maior parte das ações. Ou seja, é o dono quem mais perderia dinheiro no caso de um aumento de impostos.

Um exemplo é a Las Vegas Sands, dona de um famoso cassino. A empresa anunciou uma distribuição especial de lucros que deve render US$ 1,2 bilhão ao controlador, o bilionário Sheldon Adelson, dono de 52% das ações. Outro caso similar é a Brown-Forman, que fabrica o uísque Jack Daniels. A família Brown, que controla a empresa, vai embolsar cerca de US$ 234 milhões no próximo dia 27.

Além de antecipar dividendos, a incerteza sobre o abismo fiscal abalou a confiança de empresários e consumidores americanos, principalmente a partir de novembro, destaca o economista-chefe da consultoria Markit, Chris Williamson. Decisões de investimento estão sendo adiadas para 2013, à espera de um cenário mais claro. Por isso, o economista já vê uma tendência de desaquecimento da economia neste quarto trimestre.

O cenário mais provável para Wall Street é um acordo de última hora entre republicanos e democratas, sobre um ou outro ponto. A parte mais importante das discussões do abismo fiscal ficaria para 2013.

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