Temor de recessão em ''W'' contagia Europa

Os temores de uma recessão dupla, previsão feita no primeiro semestre pelo economista Noriel Roubini e reforçada na última semana pelo Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, contagiaram a Europa.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2010 | 00h00

Menosprezando o crescimento recorde registrado pela Alemanha e pelo Reino Unido no segundo trimestre, que puxaram o desempenho da União Europeia, analistas do mercado e economistas advertem que a performance positiva pode ser apenas um pico efêmero. Para eles, a desaceleração nos Estados Unidos mostra que a perda de ritmo pode acontecer já neste segundo semestre, movida pelos planos de austeridade.

A preocupação com a curva de crescimento em "W" já vinha sendo manifestada nas duas últimas semanas por autoridades econômicas da Europa.

Só na Europa, os planos de austeridade anunciados pela Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha e países periféricos representarão menos ? 400 bilhões em circulação na economia. Na sexta-feira, as informações sobre redução do ritmo de crescimento da atividade nos EUA - 1,6% no segundo trimestre, quando as previsões do Departamento de Comércio indicavam 2,4% - reforçaram as suspeitas na Europa de que a economia mundial possa enfrentar dupla recessão.

Valérie Plagnol, diretora de estratégia do gabinete CM-CIC Securities, não descarta o duplo mergulho. "Esta continua sendo uma probabilidade, embora certamente não o cenário central."

François Chevallier, estrategista do Banco Leonardo, em Paris, é mais otimista. Para ele, o mercado financeiro já antecipa um cenário de duplo mergulho, mas, a seu ver, erroneamente. "É claro que o crescimento americano vai provavelmente perecer. Mas estagnar não quer dizer recair em recessão", pondera. "Além disso, a Europa confirma sua resistência, porque a política monetária é eficaz, em contraste com o que acontece nos Estados Unidos."

Antes alvo de críticas, agora o Banco Central Europeu (BCE) começa a receber elogios.

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