Temor dos EUA derruba bolsas na Ásia; Europa opera em queda

Bolsas dos EUA fecharam em forte queda por conta dos mercados de crédito; petróleo bateu novo recorde

Agência Estado e Reuters,

07 de março de 2008 | 08h02

Os mercados da Ásia fecharam em forte baixa, influenciados pelo desempenho das bolsas dos EUA e pelas perspectivas de enfraquecimento da economia norte-americana. A desvalorização do dólar e a estimativa de alta da inflação em alguns países da região também contribuíram. As bolsas européias também operam em baixa nesta sexta-feira, 7, por temor de piora na crise de crédito global relacionada ao setor imobiliário de risco dos EUA. Veja também:   ESPECIAL: Preço do petróleo em altaBovespa cai forte e encerra abaixo de 63 mil pontos Livro Bege confirma desaceleração nos EUAOpep decide manter produção de petróleo, diz delegadoEvolução do preço do dólar Entenda a crise nos Estados Unidos    A perspectiva da adoção de medidas adicionais de aperto monetário pelo Banco Popular da China também levaram as bolsas da China a fechar em baixa. A bolsa de Hong Kong caiu 2,9%. Na bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em baixa de 3,27%, em 432,6 pontos. Na Coréia do Sul, Cingapura, Taiwan e China caíram entre 1% e 2%. Na Índia e na Austrália, os principais índices também perderam mais de 3%. "Há um grande clima de pânico lá fora", afirmou Angus Gluskie, gerente de portfólio na White Funds Management em Sydney.  Para piorar, o petróleo bateu novo recorde no patamar de 106 dólares o barril, reforçando os temores de que os elevados preços da commodity irão aumentar a pressão inflacionária juntamente com o desaquecimento da economia global. Além do dólar, outro fator que contribuiu para a cotação recorde da última quinta foi o ataque de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a oleoduto colombiano.  Bolsas dos EUA em queda Na última quinta, as bolsas de valores dos EUA fecharam em forte queda, após uma série de novos problemas nos mercados de crédito ter alimentado preocupações de que a economia está perto de uma recessão. Além disso, desanimadoras vendas do varejo também puxaram os indicadores para baixo.  O índice Dow Jones recuou 1,75%, a 12.040 pontos. O Standard&Poor's 500 declinou 2,2%, para 1.304 pontos, seu menor nível de fechamento em 18 meses. O termômetro de tecnologia Nasdaq perdeu 2,3%, a 2.220 pontos - fechamento mais baixo desde setembro de 2006.  Investidores se livraram de ações e correram para a segurança dos títulos do governo em um ritmo visto pela última vez em meados de janeiro, pouco antes de o Federal Reserve ter feito um corte emergencial na taxa básica de juros. O principal motivo para a fuga de investidores foram notícias de que a Thornburg Mortgage, uma concessora de hipotecas de alto nível, entrou em default após não conseguir atender às demandas de credores. Um relatório mostrando que execuções hipotecárias nos EUA atingiram uma alta recorde no fim de 2007 pioraram ainda mais os ânimos.  Bovespa A Bovespa fechou em queda de 2,56%, aos 62.974,6 pontos. A correção acompanhou as perdas dos índices acionários em Wall Street, após vários fundos de bônus hipotecários não conseguirem cumprir com as chamadas de margem, levando-os a vender ativos líquidos e de alta qualidade para atender a suas obrigações. Os investidores então aceleraram a busca de proteção nos papéis do governo dos EUA, cujos juros derreteram. O clima no mercado internacional piorou tanto, que até mesmo o dólar voltou a subir no Brasil. Nos últimos dias, apesar das instabilidades, a moeda norte-americana vinha registrando queda, em função do fluxo positivo de moeda para o País. No encerramento dos negócios, o dólar foi vendido a R$ 1,6800 - cotação máxima do dia. Em relação ao fechamento de ontem, a alta foi de 0,48%.  Japão  Alguns analistas passaram a afirmar que o Japão não está longe de uma recessão. O banco central do país reduziu nesta sexta-feira suas estimativas sobre a segunda maior economia do mundo, um desafio que o presidente do Banco do Japão, Toshiro Muto, pode precisar enfrentar. Como esperado, o banco central japonês manteve sua taxa de juros inalterada em 0,5%.  No entanto, o país anunciou que suas reservas internacionais superaram US$ 1 trilhão em fevereiro pela primeira vez na história, devido ao fortalecimento do euro em relação ao dólar e à valorização dos títulos do Tesouro dos EUA, nos quais o governo japonês investe boa parte dos recursos. As reservas japonesas, que incluem moedas estrangeiras, ouro e direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional (FMI), subiram US$ 11,94 bilhões no mês passado, para o total de US$ 1,01 trilhão, informou o Ministério das Finanças do país. Texto alterado às 8h54

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