Temores com Europa e dados ruins nos EUA elevam dólar

No pico do nervosismo internacional, moeda chegou à máxima de R$ 2,051

Cristina Canas, da Agência Estado,

24 de julho de 2012 | 18h31

O dólar subiu mais um pouco nesta terça-feira, encerrando os negócios a R$ 2,048 no mercado à vista de balcão. Essa é a maior cotação de fechamento em quase um mês, ultrapassada somente pelo valor de R$ 2,083, registrado no dia 28 de junho. A pressão de alta é externa e resulta de mais uma onda de piora no sentimento de aversão ao risco detonada pelas desconfianças em relação à solvência da Espanha e da Grécia. Hoje, colaborou para o clima negativo, também, a leitura feita pelos investidores dos números referentes à economia norte-americana.

O pico do nervosismo internacional ocorreu no início da tarde e levou o dólar à máxima de R$ 2,051 (+0,59%). O movimento foi uma resposta à informação de que a delegação de representantes da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em visita à Grécia para avaliar as reformas do país, não encontrará uma boa situação. Os comentários, ainda extraoficiais, são de que o governo grego precisará de mais reestruturação de sua dívida.

Com relação à Espanha é crescente entre os investidores a percepção de que a ajuda aos bancos não será suficiente para o país se equilibrar e que um socorro financeiro mais amplo se tornará inevitável. Essa avaliação surgiu com as notícias de dificuldades nos governos regionais que pipocaram nos últimos dias, somadas à piora nas estimativas do próprio Banco da Espanha sobre o desempenho da economia. Segundo a instituição, o Produto Interno Bruto (PIB) espanhol do segundo trimestre deste ano deve apresentar contração de 0,4% sobre o período anterior e de 1,0% ante o intervalo de abril a junho de 2011.

E, hoje, o governo da Espanha soltou um comunicado supostamente acordado com França e Itália, pedindo aceleração no processo de implementação das medidas de socorro aos países em dificuldade, acertado pela União Europeia (UE) no final de junho. No entanto, a França e a Itália alegam que não tinham conhecimento sobre uma posição oficial em relação ao tema.

Para completar o quadro externo de preocupações, o conjunto dos dados macroeconômicos divulgados nos Estados Unidos recebeu uma leitura negativa. Na leitura preliminar, o índice de atividade dos gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) dos EUA em julho caiu para 51,8, de 52,5. O Federal Reserve de Richmond informou que seu índice de atividade industrial regional despencou de -1 em junho para -17 em julho, o menor nível em mais de três anos.

Internamente, um fluxo positivo pelo segmento comercial impediu que o dólar ganhasse ainda mais fôlego de alta, segundo operadores. Além disso, as oscilações continuam limitadas pela convicção de que a atual equipe econômica é intervencionista e atuará no câmbio por meio de leilões ou de mudanças de regras, sempre que achar conveniente. Nesse sentido, o mercado aguarda para os próximos dias anúncio de operações de rolagem dos swaps cambiais que vencem na virada do mês.

Tudo o que sabemos sobre:
câmbioEuropafechamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.