'Temos bala na agulha', diz Mantega

Ministro da Fazenda afirma que o governo tem reservas internacionais e 'dólar em carteira' para conter o excesso de volatilidade na cotação do real

Adriana Fernandes, Renata Veríssimo e Laís Alegretti, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2013 | 02h08

BRASÍLIA - Diante da disparada do dólar, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou que o governo tem "bala na agulha" para enfrentar a turbulência do mercado de câmbio e assegurar que a moeda norte-americana não flutue mais no Brasil do que em outros países nesse momento de instabilidade no mercado financeiro global. O ministro disse que o Banco Central e o Ministério da Fazenda estarão atentos para evitar "exageros" de volatilidade no câmbio.

Pouco depois de o FED, o banco central dos Estados Unidos, indicar que vai moderar os estímulos ao mercado - movimento que reforçou a valorização do dólar - Mantega disse que a situação está sob controle e que a instabilidade será passageira até o dólar se acomodar em outro patamar. A visão otimista sobre a instabilidade contrasta com a do presidente do BC, Alexandre Tombini, que na terça-feira previu "trepidações" no mercado de divisas.

 

"Temos muita bala na agulha. Temos muitas reservas, como nunca tivemos antes, e dólar em carteira", afirmou o ministro da Fazenda.

Novo câmbio. Internamente, a equipe econômica avalia, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que é difícil prever o novo patamar de equilíbrio da taxa de câmbio, mas considera que é normal que o mercado neste momento de estresse vá mais longe do que os fundamentos econômicos do País indicam.

Apesar de o dólar ter superado R$ 2,20 e fechado ontem no maior patamar desde abril de 2009, o ministro minimizou o risco de contaminação do processo de valorização do dólar na inflação. Esse, no entanto, é um temor que tem alimentado as incertezas em relação à economia brasileira, o combate da inflação e a política de juros.

Pressão. Segundo Mantega, se a valorização do dólar não perdurar e "amainar", não haverá efeito sobre a inflação no Brasil. "De qualquer forma, estaremos atentos e tomando todas as medidas necessárias para que a inflação permaneça sob controle, como ela está", disse.

O ministro reconheceu que a valorização cambial causa alguma pressão inflacionária adicional, mas reforçou que se ela for passageira, ela se diluirá. "Mesmo porque todo mundo já comprou insumos no mercado futuro. As compras estão sendo efetuadas pelos preços mais antigos", disse. Ele reafirmou que a inflação está sob controle e que, em junho, será menor do que em maio. "O importante é que está menor a cada mês."

Mantega evitou avaliar os efeitos das novas sinalizações do presidente do FED, Ben Bernanke, na economia brasileira. Ele disse que será preciso pelo menos 24 horas para que haja uma interpretação da decisão de ontem do banco central dos Estados Unidos e uma nova avaliação da velocidade da redução dos estímulos.

Para Mantega, ainda não está claro em que velocidade isso vai acontecer.

"O que já aconteceu nesses últimos 30 adias foi um aumento da aplicações em dólar e uma saída de capitais dos emergentes em direção a aplicações em dólar", disse. Mantega ressaltou que a fala do Fed, é muito enigmática. "Não está claro, de modo que hoje (ontem) o mercado está reagindo", disse. (Colaborou Ricardo Brito)

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