'Temos de entender como somos vistos'

ENTREVISTA

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

Tonya Reiman, PALESTRANTE MOTIVACIONAL E CONSULTORA

Uma postura ereta, um sorriso sincero e um aperto de mão seguro podem fazer toda a diferença na vida profissional: controlando reações, um candidato pode passar uma boa imagem em uma entrevista de emprego antes da primeira palavra. De acordo com Tonya Reiman, autora de A Arte da Persuasão, livro que está sendo lançado no Brasil e pode ser visto como a resposta do mundo corporativo ao clássico da comunicação não-verbal O Corpo Fala, o sucesso está ao alcance de todos: basta treinar a mente.

No livro, ilustrado com fotografias que atribuem significados a diferentes expressões - levar a mão no nariz, por exemplo, é sinal de desconforto -, há um guia passo a passo para uma programa de auto-hipnose com 21 dias de duração. "Você tem que reconhecer o que está errado para melhorar. A ideia é desenvolver sua versão "Alfa"", disse a autora, que dá dicas de carreira no canal Fox News, em entrevista ao Estado. Leia os principais trechos da conversa:

Você propõe a auto-hipnose em seu livro. Que sinais positivos devem ser treinados?

É importante é olhar nos olhos. Isso demonstra autoconfiança e atenção ao interlocutor. Outro ponto é respeitar o espaço do outro. Você pode falar mais perto de um colega de trabalho, mas tem que manter certa distância de quem você não conhece. É preciso respeitar o espaço pessoal alheio.

Você, de certa forma, cria um personagem?

Não. Você tem que ser sempre você mesmo, mas com alguns ajustes, para que o seu melhor venha à tona. Você pode ser engraçado e passar isso sem perder o ar profissional. Se criar diferentes personalidades, vai se perder, perguntando: "Quem eu era quando falei com essa pessoa?" É preciso dar o seu melhor, ser você mesmo, mas respeitando as situações.

E a linguagem corporal? Dá para exercitar reações?

Sim. O mais importante da comunicação não-verbal é ficar atento às próprias reações. E você faz isso reconhecendo os sinais que envia aos outros: antes de uma reunião, recomendo que o profissional pare por 20 segundos para analisar a postura, as expressões e a linguagem corporal. Depois de praticar de forma consciente, o controle será inconsciente.

Você também fala de reações positivas. Ver o copo "meio cheio" é importante?

O copo sempre precisa estar meio cheio. Se você encara o mundo de forma pessimista, obviamente não confia em si mesmo. E isso fica claro para os outros. Tudo é perspectiva: quem se apresenta de forma positiva para a vida tende, por exemplo, a participar melhor de sessões de ideias (brainstorming).

O quanto a linguagem corporal conta na busca de um emprego?

A entrevista começa na sala de espera. A empresa está analisando a postura, o comportamento, se a pessoa está confortável na própria pele. Uma vez na sala, a atenção muda para a apresentação, o sorriso, o aperto de mão. O entrevistador usa ferramentas para formar sua primeira impressão, faz um julgamento relâmpago. Se você não estiver à altura, terá de lutar muito para que ele mude de opinião.

Como controlar os nervos durante uma entrevista?

É preciso treinar. Você tem que reconhecer o que faz de errado para melhorar. A ideia é desenvolver sua versão "Alfa". Você pode se programar para entrar em uma sala confiante. Você treina dez ou vinte vezes, para que na hora pareça natural.

É importante que essa mudança não seja muito "robótica"?

Claro. Por isso, defendo que as pessoas gravem momentos de sua vida e os estudante. É uma boa forma de analisarmos a postura. O aspecto mais importante é como as pessoas te veem de longe, quando você se aproxima delas. Nossa visão de nós mesmos geralmente não corresponde à dos outros. O vídeo pode ser uma forma de entender de como os outros nos veem.

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