'Temos de estar de olhos abertos sobre crise nos EUA', diz Lula

Ele diz que está 'tranqüilo' e avalia que oscilações no mercado podem ter sido reflexo do pacote de Bush

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2008 | 17h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, 21, que o governo está tranqüilo diante do temor de uma recessão nos EUA, mas informou que acompanha atentamente a situação no mercado internacional. "Estou tranqüilo, obviamente temos de estar com os dois olhos muito abertos para saber o que vai acontecer com a economia americana e, conseqüentemente, na economia mundial."   Em rápida entrevista no Palácio do Planalto, Lula, que estava acompanhando do ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que já discutiu com Mantega a questão e, mais tarde, terá um encontro com a equipe econômica, incluindo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para fazer uma nova avaliação. "Nós estamos acompanhando e vamos, se for necessário, tomar as medidas que a situação exigir."     O presidente Lula avaliou que as últimos oscilações no mercado podem ter sido reflexo do anúncio na sexta-feira do pacote de medidas de estímulo fiscal, de cerca de US$ 150 bilhões, pelo presidente norte-americano, George W. Bush. "Por enquanto, estamos certos de que essa crise seja (reflexo de) alguma frustração com o anúncio do pacote de Bush, que não contentou nem os americanos."   Lula disse que os EUA precisam assumir a responsabilidade de evitar que a crise se alastre e se transforme em uma crise mundial na medida em que os EUA representam muito do PIB mundial.   O presidente observou que os países da América Latina e da África, que sofreram uma estagnação econômica durante 30 anos, agora encontraram o caminho do crescimento. "Não é possível que pessoas que não tenham nenhuma casa nos EUA e não fizeram nenhuma hipoteca paguem pela crise da irresponsabilidade de alguns, que resolveram ganhar dinheiro fácil, como se estivessem apostando em cassino." Lula assegurou que o Brasil tem hoje solidez em sua economia e conta com reservas que dão tranqüilidade a investidores.   A uma pergunta se o clima na economia mundial pode afetar o crescimento econômico do País, Lula disse que: "Não acredito, primeiro, porque os investimentos já foram definidos em 2007 e, segundo, o dinheiro do PAC já foi empenhado e, as grandes obras, contratadas".

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