Temos desafio de reduzir a taxa de juros, diz Mantega

Segundo ele, desaceleração da inflação em dezembro "abre espaço importante para a redução" dos juros

Fabio Graner, da Agência Estado

09 de janeiro de 2009 | 12h11

O ministro da Fazenda, Guido Mantega , afirmou nesta sexta-feira, 9,  que há um desafio de se reduzir a taxa de juros, ou seja, o custo financeiro no mercado. Segundo ele, na crise, os spreads - diferença entre os juros dos empréstimos e as taxas de captação - subiram muito, o que fez com que houvesse diminuição na atividade econômica.  Veja também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   Mantega, disse ter ficado muito satisfeito com o resultado do IPCA de dezembro - em 0,28% - e destacou o Brasil passou por um choque de commodities mantendo a inflação dentro das metas definidas pelo governo. No ano, a inflação oficial fechou 2008 em alta de 5,9%, abaixo do teto da meta, que era de 6,5%.  Segundo o ministro, a desaceleração da inflação em dezembro "abre espaço importante para a redução" da taxa básica dos juros. Ao ser questionado especificamente se esta redução deveria ocorrer na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 20 e 21 de janeiro, Mantega limitou-se a afirmar: "isto é um assunto do Banco Central". Compra do Votorantim Na avaliação do ministro, a operação de compra de parte do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil é um passo importante no fortalecimento do banco federal e que vai ajudar no processo de redução dos custos financeiros. De acordo com o ministro, as duas instituições já estavam conversando "há algum tempo" e a aquisição será importante para diversificar o escopo de atuação do BB em especial na área de bens de consumo duráveis, com destaque para o financiamento de automóveis, em que o Votorantim é sócio. O ministro refutou a análise de que a operação seria uma tentativa de salvar uma instituição com dificuldades financeiras e ressaltou que o Votorantim é um banco sólido, com carteira de "primeira qualidade". O ministro afirmou que não é objetivo do governo que o Banco do Brasil seja a maior instituição do País, mas sim que o banco federal seja um dos mais fortes, estimulando a competição no sistema financeiro nacional. Apesar de defender maior competição no mercado, Mantega afirmou que o BB sempre atua e atuará com taxas de mercado, pois é uma instituição de capital aberto. "Mas eu estimulo o BB e todos os bancos a trabalharem com taxas cada vez menores porque, senão, o País não vai crescer", afirmou o ministro, destacando que o BB está reduzindo juros e foi uma das poucas instituições que em no momento mais agudo da crise, em que a maioria dos bancos elevou a taxa de juros a níveis "inomináveis", o BB foi a instituição que não fez esse movimento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.