Temos que agregar valor ao nosso petróleo, afirma Dilma

Ministra defende que País tem de se tornar produtor de máquinas e equipamentos petroquímicos

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

29 de setembro de 2009 | 12h17

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta terça-feira, 29, que o Brasil não pode virar exportador de óleo bruto e importador de plataformas, sondas e equipamentos da indústria do petróleo. "Temos que nos tornar produtores de máquinas e equipamentos e agregar valor ao nosso petróleo, refinando e transformando em produtos petroquímicos", disse.

 

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Dilma afirmou também que exploração do petróleo na camada do pré-sal significa um expressivo desafio para o País, que terá que evitar dois riscos: a maldição do petróleo e a chamada doença holandesa. Segundo ela, grandes países produtores de petróleo têm a economia focada em apenas dois setores. O do petróleo e o outro as demais áreas, "o que explica por que esses países não encontraram um caminho fácil para o desenvolvimento". O segundo risco, é evitar que as exportações do petróleo possam provocar a desvalorização do dólar e a desindustrialização por falta de competitividade.

 

Volume do pré-sal

 

A ministra da Casa Civil rebateu afirmações na imprensa de que não há "tanto petróleo" na camada do pré-sal. "Não tem fundamento esta discussão", afirmou a ministra em exposição de cerca de uma hora, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Segundo ela os poços de Tupy e Iara estão entre as maiores descobertas dos últimos 10 anos. Segundo ela, ainda não é possível quantificar quantos bilhões de barris existem no fundo do mar, mas as estimativas indicam que a exploração do pré-sal deve significar entre 25 bilhões a 100 bilhões de barris adicionais. " A quantificação disso teremos ao longo da exploração. Mas é certo que é uma quantidade muito significativa de barris", afirmou.

 

Dilma disse que o petróleo originário da exploração da camada do pré-sal será destinado à exportação. Segundo ela, o ganho no mercado interno será o de criação de uma indústria nacional que possa fornecer equipamentos e serviços.A ministra destacou também que os recursos que a União receberá serão transformados em um fundo social de combate à pobreza.

 

Segundo ela, o pré-sal vai colocar o Brasil em outro patamar entre os países produtores de petróleo e transformar o País em um dos maiores exportadores. Para Dilma, o pré-sal ocorreu em um momento muito favorável, quando o Brasil está com sua economia "sofisticada", tem uma democracia que respeita os direitos humanos, não enfrenta conflitos étnicos; não faz guerra com os seus vizinhos e respeita os contratos.

 

Energias renováveis

 

Dilma afirmou também que o Brasil continuará com o compromisso de manter em sua matriz energética energias renováveis, como o biodiesel e o etanol. "Vamos perseguir o protagonismo que já temos nos combustíveis de Segunda e terceira geração, transformando celulose em energia".

 

A ministra disse também que é preciso transformar o pré-sal em empregos e atração de empresas para investir e produzir petróleo no Brasil. Por isso, segundo ela, é preciso ter regras claras. Segundo a ministra, o controle que a União exercerá não é porque o governo é estatizante, mas porque tem noção do que pode significar para a indústria nacional. Segundo Dilma uma plataforma "baratinha" custa US$ 2 bilhões. Segundo ela Lula disse que a exploração do pré-sal deve ser um círculo virtuoso, no qual se deve combinar combate à pobreza ao fortalecimento da indústria

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