Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Temos que preservar o teto de gastos e reduzir despesas, diz Bolsonaro

Um dia depois de indicar que poderia apoiar a proposta de flexibilização da regra que impede o aumento das despesas acima da inflação, presidente afirmou no Twitter que 'ceder ao teto é abrir uma rachadura no casco do transatlântico'

Elizabeth Lopes, Maria Regina Silva e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 08h25

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira, 5, que o teto de gastos não deve ser flexibilizado. "Como conversei com Paulo Guedes (ministro da Economia), seria uma rachadura em um transatlântico", afirmou.

A declaração de Bolsonaro reforça o recuo do presidente sobre revisar a regra que proíbe que despesas do governo cresçam em ritmo superior à inflação. Mais cedo nesta quinta, no Twitter, ele já havia defendido a emenda do teto.

"Temos que preservar a Emenda do Teto. Devemos sim, reduzir despesas, combater fraudes e desperdícios. Ceder ao teto é abrir uma rachadura no casco do transatlântico. O Brasil vai dar certo. Parabéns a nossos ministros pelo apoio às medidas econômicas do Paulo Guedes", escreveu na rede social.

Na quarta-feira, 4, o presidente provocou incertezas no mercado ao sinalizar que poderia apoiar a proposta que flexibiliza a regra do teto de gastos, defendida pela Casa Civil e pelo comando das Forças Armadas, como informou o Estado, sob argumento de que o corte de gastos poderá provocar um apagão nos ministérios e órgãos do governo, incluindo, nas palavras do próprio presidente, o corte de luz nos quartéis.

Ele havia orientado o ministro Paulo Guedes a elaborar estudos para que ajustes sejam propostos ao Congresso, segundo o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. O Estado/Broadcast revelou que a Junta de Execução Orçamentária (JEO) discutiu mudanças no teto por pressão da Casa Civil e dos militares, mas Guedes rejeitou propor alterações.

Agora, Bolsonaro vai na linha dos que defendem a manutenção da regra, que proíbe que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação, o que pode ameaçar a estabilidade fiscal.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também disse ser contrário à flexibilização, dizendo que "o teto de gastos está sólido" e que não adianta aumentar gasto se não reduzir a despesa". "É besteira. Vai ter de aumentar imposto. O que está pressionando o teto é inflação baixa e indexação do Orçamento. Então é isso que tem de resolver", afirmou na quarta.

O presidente discursou nesta quinta no lançamento do programa nacional das escolas cívico-militares. No evento, Bolsonaro afirmou que, para contornar o peso dos gastos obrigatórios, o governo deve atuar para que menos famílias dependam de auxílios como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC).

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