Robert Michael/AFP
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Tempo da Grécia está se esgotando, diz Merkel

Em reunião do G-7, o presidente americano, Barack Obama, afirmouque é hora de o governo de Tsipras assumir suas responsabilidades

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2015 | 02h03

O tempo para salvar a economia da Grécia da falência está se esgotando. A advertência foi feita nesta segunda-feira por líderes do G-7, o grupo que reúne chefes de Estado e de governo dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália. Três dias depois das duras críticas feitas pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, à União Europeia, o clima entre os dirigentes é de preocupação. Bruxelas e Atenas seguem sem contato político desde domingo.

Falando às margens do G-7, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou que "não resta muito mais tempo, e é preciso trabalhar duro" para que um acordo entre Atenas e os credores internacionais - Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - possa enfim ser selado. "Nada nos impede de acelerarmos", disse o presidente da França, François Hollande, lembrando que "é do interesse da Grécia" que um entendimento seja firmado antes do final de junho.

Em 30 de junho vencerão quatro parcelas de reembolsos devidos por Atenas ao FMI, no valor total de 1,6 bilhão, cujo pagamento foi retardado pela Grécia aproveitando uma brecha no regulamento do fundo.

Para o presidente americano, Barack Obama, é hora de o governo de Tsipras assumir suas responsabilidades. "Os gregos devem fazer escolhas políticas difíceis que serão boas para eles a longo termo", ressaltou. Mas Obama convidou também a comunidade internacional a demonstrar flexibilidade para superar "os desafios extraordinários" e buscar um consenso.

Corte. As declarações conciliadoras dos líderes do G-7 contrastaram com a ira do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que no domingo suspendeu o diálogo com o premiê grego até que Atenas apresente uma proposta alternativa para as negociações sobre a dívida externa do país.

A decisão foi tomada depois do pronunciamento crítico a Bruxelas feito pelo premiê ao Parlamento, na sexta-feira, e de um final de semana no qual Tsipras e seu ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, voltaram à carga, ameaçando não assinar nenhum acordo que não preveja a reestruturação da dívida do país. Na quarta-feira, Tsipras vai se encontrar em Bruxelas com Merkel e Hollande para tentar retomar as negociações. Mas, segundo a imprensa europeia, o governo grego perdeu o apoio de Juncker, um dos que tentava intermediar um entendimento com Berlim e o FMI.

Nesta segunda-feira, após encontro bilateral com o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, Varoufakis advertiu para o risco de um "fracasso histórico" da UE se os líderes políticos do bloco - incluindo Tsipras - não chegarem a um acordo. O ministro grego refutou as críticas de Juncker dizendo que a posição da Grécia está clara desde a segunda-feira da semana passada, quando Atenas enviou a Bruxelas um documento de 47 páginas explicando a proposta do país para um acordo.

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