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Tempo de mudança

Qual foi a última vez em que você pensou em comprar um PC? A virada do mercado para os tablets e os smartphones é uma daquelas ondas que o economista austríaco Joseph Schumpeter chamou de "destruição criativa", em que empresas vencedoras de um ciclo tecnológico sofrem para se adaptar ao próximo. Resultados divulgados por gigantes da tecnologia na semana passada mostraram isso.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2013 | 02h17

Na sexta-feira, a Microsoft perdeu, num único dia, 11,4% do valor de mercado, que caiu para US$ 261,5 bilhões, em reação aos números trimestrais mais recentes. A empresa de software foi, por muitos anos, a mais valiosa do mundo, e chegou a ter capitalização de US$ 600 bilhões em 1999. Ante o domínio do Windows no mercado de PCs, a Microsoft foi alvo de um processo antitruste do Departamento de Justiça americano no fim da década de 1990.

O sistema operacional da Microsoft continua a ser dominante nos microcomputadores, mas isso já não tem a mesma importância. Segundo o blog Asymco, para cada PC com Windows colocado no mercado atualmente, são vendidos 2,6 dispositivos com o sistema operacional iOS (da Apple) ou Android (do Google), as plataformas dominantes em smartphones e tablets.

A consultoria IDC divulgou recentemente que, no segundo trimestre deste ano, as vendas de PCs caíram 10,9%. Na divulgação de resultados, a Microsoft estimou que as vendas de microcomputadores diminuíram mais de 20% no mercado doméstico. E, no trimestre passado, a empresa teve uma baixa contábil de US$ 900 milhões em seu resultado, por causa do estoque encalhado de seu tablet Surface RT.

Num ambiente como esse, era de se esperar que uma empresa como o Google emergisse como vencedora, já que seu sistema Android tem participação de mercado maior que a do Windows. Mas os números da empresa de busca também ficaram abaixo da expectativa dos analistas.

A reação não foi nem próxima do que aconteceu com a Microsoft (os papéis do Google caíram 1,55% na sexta). Os motivos do desapontamento, no entanto, também estão relacionados à transição para a computação móvel. A publicidade é a principal fonte de receita do Google, e o custo médio do clique (quanto o anunciante paga ao Google quando alguém clica no anúncio) caiu 6% no trimestre passado, acumulando sete trimestres seguidos de queda. Entre os principais motivos está o avanço do anúncio móvel, que custa menos do que aquele que aparece na tela do PC.

O Android é um software de código aberto. Diferentemente do Windows, os fabricantes podem instalar o Android em seus produtos sem pagar nada ao Google. A importância do sistema operacional para o Google é que ele é integrado a outros produtos da empresa, como a busca, o Gmail e o YouTube, que exibem anúncios e geram receita.

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