Petros Giannakouris/AP
Petros Giannakouris/AP

Tempo está se esgotando para as negociações com a Grécia, diz Draghi

Presidente do BCE afirmou que a situação atual e as altas taxas de juros sobre a dívida da Grécia estão tornando mais difícil o financiamento dos bancos do país

O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2015 | 08h36

LETÔNIA - O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou que o tempo está acabando para as negociações sobre o resgate da Grécia e alertou que as incertezas estão prejudicando os bancos do país. As declarações foram feitas em entrevista à imprensa junto com Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, após a reunião dos ministros de Finanças da zona do euro em Riga.

"Velocidade é essencial", disse Draghi. Dijsselbloem, por sua vez, comentou que ainda há grandes divergências com relação a como solucionar a crise da Grécia e pediu mais empenho das partes envolvidas. "Todos faremos o que for necessário para termos um acordo o mais breve possível", afirmou.

Draghi destacou que a situação atual e as altas taxas de juros sobre a dívida da Grécia estão tornando mais difícil para os bancos do país encontrar os ativos que precisam apresentar em troca de financiamento. "Quanto maior a volatilidade, mais os colaterais são destruídos", declarou. O BCE parou de aceitar dívida grega como colateral para suas operações de liquidez em fevereiro, por isso os bancos da Grécia têm dependido dos empréstimos do banco central do país. Nos últimos dias, cresceram as especulações sobre se o BCE vai exigir mais descontos sobre os ativos gregos.

Draghi também criticou o modo como o governo grego está conduzindo as negociações sobre as reformas que planeja implementar em troca de mais assistência financeira da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Não se pode chegar a um acordo se as pessoas não têm um processo adequado para avaliar e quantificar medidas políticas", disse.

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"Nós não temos o direito de não alcançar este acordo" - ministro de Finanças da Grécia, Yannis Varoufakis
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Lado grego. O ministro de Finanças da Grécia, Yannis Varoufakis, disse que seu governo está disposto a chegar a um acordo sobre as revisões necessárias para manter a ajuda de seus credores internacionais, depois que seus colegas da zona euro reclamaram sobre a falta de resultados nas negociações sobre o resgate ao país. "Nós não temos o direito de não alcançar este acordo", afirmou Varoufakis. "Os dois lados se aproximaram muito em questões como privatização e tributação", acrescentou. "Olhando para as últimas semanas o que vemos é convergência."

Ministros irritados.  Os ministros de Finanças da zona do euro pedem que o governo grego se apresse na apresentação de um plano que detalhe como o país pretende pagar sua dívida. Alguns deles, inclusive, têm manifestado aborrecimento com a falta de progresso nas negociações.

"Já estou bastante irritado com essa questão", disse o ministro de Finanças da Áustria, Hans Jörg Schelling, que, nesta sexta-feira, na Letônia, se encontra com seus colegas da zona do euro em reunião do Eurogrupo, grupo informal de ministros de Finanças do bloco. A reunião de ministros na Letônia vem antes de mais uma tentativa de acordo, cujo prazo final é o fim de abril.

"Nós estamos conversamos, mas falta substância", disse o ministro das Finanças eslovaco, Peter Kazimir. "Estamos à espera de propostas reais", acrescentou. Kazimir declarou ainda que, em vez de se concentrar sobre o prazo do fim de abril, todas as partes devem se certificar de que eles podem chegar a um acordo antes do fim de junho, quando expira o acordo de resgate da Grécia com a zona do euro e o FMI, de 240 bilhões de euros.

Depois disso, a Grécia terá de pagar mais de 6 bilhões de euros em dívidas para o BCE, e é provável que seja incapaz de cumprir esta obrigação sem conseguir mais crédito internacional.

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