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‘Tempo para reforma está acabando’

Para Lisboa, principal problema da economia é que a trajetória do gasto público tem sido crescente

Entrevista com

Marcos Lisboa, presidente do Insper

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2016 | 03h00

O presidente do Insper, Marcos Lisboa, afirma que a trajetória do gasto público pode se tornar inviável se não houver uma reforma da Previdência. “A relação dívida/PIB vai se tornar insustentável”, diz.

Qual o seu diagnóstico do sistema de Previdência no Brasil hoje?

No regime de Previdência no Brasil, as pessoas que trabalham pagam os benefícios de quem está aposentado. Hoje, porém, a população em idade de trabalhar está crescendo 1% ao ano; já a população em idade de aposentar, 4% ao ano. Esse problema vai se agravar com o tempo. Temos um regime que, ao contrário do resto do mundo, acaba permitindo o acúmulo de benefícios e não tem idade mínima, o que resulta num tempo médio de aposentadoria de 55 anos para homens e 53 para mulheres. No resto do mundo a idade mínima é 65. É preciso ajustar a construção do benefício de modo que ele seja sustentável no longo prazo.

Quais os principais riscos?

Isso está levando ao aumento do gasto da Previdência sobre o PIB. Esse talvez seja o principal fator para o crescimento projetado dos gastos públicos e da e contração do PIB nos próximos anos. O problema do Brasil não é o nível de déficit. O problema é que a trajetória do gasto público é ascendente. A Previdência tem uma tendência de aumento por regras de aposentadoria precoce num país que está envelhecendo. Com essa trajetória, a relação dívida/PIB vai continuar aumentando nos próximos anos e eventualmente vai se tornar insustentável.

É possível reverter esse quadro?

A boa notícia é que há tempo para fazer o ajuste. A má é que esse tempo está acabando. O Chile fez nos anos 1980, os países desenvolvidos, nos anos 1990; alguns nos anos 2000. A dificuldade é que não é uma grande medida só que vai resolver o problema. É preciso adotar idade mínima, acabar com os regimes especiais e com o acúmulo de benefícios. Não tem muita mágica: é só fazer o que os países desenvolvidos fazem.

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