Tempo seco ajuda e ferrugem da soja recua 70%

Estiagem teve papel fundamental na redução de casos da doença, mas conscientização do produtor também pesou

Camila Moreira, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

Uma conjunção de fatores ideais provocou queda de 70,2% na ocorrência da ferrugem asiática nas lavouras de soja da safra 2010/2011, em relação ao ciclo anterior. Com apenas 706 casos registrados em todo o País, ante 2.370 no ano anterior, segundo o Consórcio Antiferrugem, o recuo da doença ajudou o Brasil a alcançar produção recorde de 75 milhões de toneladas do grão.

A última temporada, contudo, pode ser considerada atípica e um aumento no número de casos na safra 2011/2012, que começa a ser plantada em setembro, não está descartado. Isso porque a proliferação do fungo que provoca a doença está ligada às condições climáticas, segundo analistas.

O pesquisador da Embrapa Soja Rafael Soares diz que o principal fator que favoreceu a redução de casos foi o clima seco, provocado pelo fenômeno La Niña. A estiagem colaborou para o sucesso do vazio sanitário, período de entressafra em que é proibido o plantio. A baixa umidade reduziu a brotação da chamada soja guaxa, que nasce de grãos perdidos na colheita anterior, e reduziu a incidência do fungo. No plantio, a falta de chuvas atrasou o trabalho de campo, atrasando também o surgimento da ferrugem.

Além disso, cresceu a conscientização dos produtores em relação ao controle químico. "Muitas vezes eles preferem aplicar mais fungicidas que o necessário a correr risco. Em Mato Grosso, a redução de casos foi acentuada. A ferrugem apareceu 60 dias mais tarde do que no ano anterior e o monitoramento feito pelo produtor foi intenso durante toda a safra", avaliou Soares. Apesar dos cuidados, já se fala na possibilidade de haver uma elevação no número de casos da doença na safra 2011/2012. "A não ser que haja um problema de seca, não descarto a possibilidade de aumentar de novo. Não pode haver descuido por parte do agricultor, achando que, como no último ano a incidência não foi severa, isso vai se repetir."

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