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Temporada de balanços começa pelo Bradesco

Para analistas, dados devem mostrar lucro alto no 4.º trimestre

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

O Bradesco inaugura amanhã a temporada de divulgação dos balanços dos grandes bancos referentes ao quarto trimestre de 2008 e, por tabela, do ano inteiro. Embora o período de outubro a dezembro tenha representado o auge da crise global - ao menos até o momento -, analistas projetam lucros robustos, sendo alguns deles recordes. Isso não quer dizer que os resultados estarão imunes à drástica piora do cenário. Os especialistas esperam, também, um aumento das provisões (reservas), medida preventiva inevitável diante de uma alta dada como certa da inadimplência ao longo de 2009. "Em termos de lucros, não houve tanta mudança no quarto trimestre do ano passado", disse o analista de instituições financeiras do banco JP Morgan, Frederic Rozeira de Mariz. Em compensação, observou, "a qualidade da carteira (de crédito) vem piorando significativamente em todos os bancos". Entre janeiro e setembro, o Bradesco acumulou lucro líquido de R$ 6,015 bilhões. A agência de classificação de risco Austin Rating estima um ganho de R$ 1,85 bilhão entre outubro e dezembro, o que levaria o resultado anual para R$ 7,87 bilhões (ante R$ 8,010 bilhões em 2007). No caso do Itaú, aos R$ 5,93 bilhões do período janeiro-setembro, a Austin soma R$ 1,75 bilhão, valor projetado para os três últimos meses do ano. Com isso, o ganho total em 2008 iria a R$ 7,69 bilhões (ante R$ 8,47 bilhões em 2007). O Banco do Brasil apresentará uma distorção no balanço, decorrente de ganhos extraordinários provenientes de uma operação com o fundo de pensão Previ. Por isso, o lucro esperado no ano pela Austin é de R$ 10,26 bilhões, o dobro dos R$ 5,1 bilhões de 2007. O anúncio está marcado para o dia 19. Por fim, o Unibanco, cujos resultados do quarto trimestre de 2008 serão anunciados junto com os do Itaú, no dia 25 (quarta-feira de cinzas), deve lucrar no ano, segundo a Austin, R$ 2,85 bilhões (de R$ 3,45 bilhões em 2007)."Vale notar que muitos desses números refletem operações extraordinárias, como a abertura de capital da Redecard (em 2007), que tinha entre os acionistas o Itaú e o Unibanco", ressaltou o analista de instituições financeiras da Austin, Luís Miguel Santacreu. "De qualquer forma, os resultados serão fortes, principalmente nos casos de Itaú e Unibanco."Em tese, o esperado aumento das provisões reduz o lucro das companhias. Mas, no caso dos bancos, a expansão das reservas anticalote deve ter sido compensada no quarto trimestre pela alta do spread (diferença entre as taxas de captação de dinheiro e de empréstimos aos clientes). Em dezembro, segundo o Banco Central (BC), o spread médio (que inclui as operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas) alcançou 30,6 pontos porcentuais, o maior nível em cinco anos. Além de evitar uma queda expressiva dos lucros, esse movimento deve garantir aos bancos a manutenção dos altos indicadores de rentabilidade dos últimos anos, explicou o gerente de análise da corretora Planner, Ricardo Tadeu Martins. Nas contas da Fator Corretora, o Bradesco, por exemplo, teve rentabilidade (medida pela divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido) de 24,5% no terceiro trimestre. A previsão para o quarto trimestre é de 25,1%.No caso do Itaú e do Unibanco, a expectativa é praticamente de estabilidade. No Itaú, de 28% para 27,7% e no Unibanco, de 23,8% para 23,1%. Só o Banco do Brasil deve ter queda no período - de 33,6% para 23%. "A alta dos spreads foi a forma que os bancos encontraram para defender a rentabilidade em meio às oscilações", disse o analista de bancos da Lopes Filho e Associados, João Augusto Salles. Por isso, os especialistas avaliam que o spread continuará em alta em 2009. O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, não chega a tanto. Mas reconhece que, enquanto as perspectivas para a economia (brasileira e global) estiverem incertas, o spread dificilmente cairá.Em compensação, ele acredita que, quando a situação começar a melhorar, o spread cairá rapidamente, fruto da concorrência entre os bancos - que vão querer aproveitar a retomada da atividade econômica. Mas, por enquanto, esse é um cenário fora do radar. Para 2009, a expectativa é de uma expressiva desaceleração das operações de crédito no País. Aloísio Lemos, analista da Ágora Corretora, projeta uma expansão máxima de 15%, ante 31% no ano passado. "O vetor do crescimento do crédito mudou das pessoas físicas para as empresas", observou.Em primeiro lugar, porque a escassez global de recursos fez com que muitas empresas brasileiras que captavam dinheiro lá fora se voltassem para o mercado interno. Em segundo, porque a desaceleração econômica, com consequente alta do desemprego, deixa as pessoas físicas mais cautelosas, o que as leva a tomar menos dinheiro emprestado.

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