Tenco investe R$ 70 mi em shopping no Cariri

A mineira Tenco começou suas operações há 22 anos, em Belo Horizonte, centrada na construção de empreendimentos residenciais, comerciais e industriais. A partir de 1995, porém, o grupo sentiu a necessidade de diversificar seus negócios e decidiu entrar no ramo de shopping centers. Não saiu mais. Desde o ano 2000, a Tenco opera exclusivamente na indústria de shoppings, com a Tenco Realty.

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

De lá para cá, participou da gestão e do desenvolvimento de 18 empreendimentos - atualmente, conta com oito shoppings em seu portfólio. O foco da empresa são as cidades com população entre 200 mil e 400 mil habitantes. Nessa estratégia de negócios, uma das suas maiores apostas é o Cariri Shopping, em Juazeiro do Norte, no sul do Ceará, adquirido há um ano e meio do BicBanco. A Tenco está investindo R$ 70 milhões na expansão do centro comercial, que vai dobrar de tamanho, para 42 mil metros quadrados de área locada.

Estão previstos um hipermercado e novas âncoras - nomes como Marisa e Riachuelo já confirmaram sua participação. O número de lojas passará de 73 para 193 e as vagas de estacionamento triplicarão. O projeto também prevê a instalação de um parque infantil, seis salas de cinema Multiplex e uma praça de alimentação com o dobro da área atual. "Vamos transformar o Cariri no maior shopping do interior do Nordeste", afirma Eduardo Gribel, presidente da Tenco.

A expectativa da Tenco é atingir um público de 400 mil pessoas, soma das populações das cidades que formam o Vale do Cariri - além de Juazeiro do Norte, incluem-se Crato e Barbalha - a partir da reinauguração do Cariri Shopping. Os municípios estão situados num raio de 10 a 15 quilômetros do shopping. O público que frequenta o local é formado, em sua maioria, por consumidores das classes média e média baixa. "A ascensão da classe C, que conta com renda maior, nos motivou a realizar a expansão", diz Gribel.

Segundo ele, outro fator decisivo foi o aumento do número de empregos na região. Conhecida pelas romarias dos devotos do Padre Cícero, fundador e primeiro prefeito do município, Juazeiro vem sendo beneficiada nos últimos anos por um surto de industrialização, com a instalação de fábricas de setores como siderurgia, cimentos, calçados, bebidas, alimentos e confecções, entre outros. Nomes como Gerdau, Grendene e a fabricante de cimento Nassau fincaram seus logotipos na cidade.

De acordo com Gribel, os consumidores do Cariri são carentes de novidades. "Eles querem ter acesso a tudo o que as pessoas do Sudeste têm, de grifes famosas, restaurantes fast food a escada rolante", diz Gribel. Desde que assumiu a gestão do Cariri Shopping, a Tenco Realty quadruplicou sua receita. "Conseguimos aumentar o caixa, basicamente, reajustando contratos de aluguéis defasados", afirma Gribel. Com a expansão, o shopping vai criar 900 vagas com carteira assinada. O projeto de expansão conta com três empreendedores: a Batur Empreendimentos, a Imobiliária Predileta e a MK Empreendimentos e Participações, parceiros da Tenco em vários projetos.

Como parte da estratégia de operar shopping centers em cidades de médio porte, a Tenco está à frente ainda de dois novos empreendimentos. Um deles é o Amapá Garden Shopping, em Macapá, que está recebendo investimentos de R$ 66 milhões e tem previsão de conclusão no final do ano que vem. Para 2012, deve entrar em operação o Metropolitan Garden Shopping, em Betim, na Grande Belo Horizonte, que vai consumir R$ 200 milhões.

DRAGÃO VORAZ

O peso das exportações brasileiras para a China sextuplicou em dez anos

ESPAÇO CORPORATIVO

Philips muda de endereço no começo de agosto

Os 800 funcionários do escritório central da Philips já começaram a empacotar seus pertences e a se desfazer do material desnecessário. No dia 30 de julho, uma sexta-feira, deixarão o prédio atual da rua Verbo Divino, na zona sul de São Paulo, pela última vez. Na volta do descanso de fim de semana, na segunda-feira, 2 de agosto, desembarcarão em Alphaville, na zona oeste da região metropolitana, mais precisamente numa das torres do condomínio Castelo Branco Office Park. No edifício, construído pela Tishman Speyer, ocuparão quatro andares, de acordo com novo conceito de espaço corporativo: nenhum dos funcionários, incluído o presidente da Philips, Marcos Bicudo, terá sala própria. Da mesma forma, poucos deles terão telefones fixos. A maioria dos empregados utilizará notebooks e celulares fornecidos pela empresa para se comunicar com o mundo exterior.

BOLIVARIANA

Venezuela azeda resultados da Pepsico na AL

Os resultados na Venezuela foram os principais responsáveis pela queda de 3% no lucro operacional da Pepsico na América Latina no segundo trimestre de 2010, em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com balanço divulgado ontem. Segundo a empresa americana, a desvalorização da moeda no país - 4,15 bolívares equivalem a US$ 1-- e a recessão da economia venezuelana colocaram a operação no vermelho. Conforme apurou o repórter Fernando Scheller, sem o "efeito Venezuela", o resultado da rival da Coca-Cola teria sido positivo na região, com lucros operacionais em expansão de 3% no segundo trimestre.

MEDICAMENTOS

Cellofarm vai às compras

A Cellofarm, subsidiária brasileira do grupo sul-africano Aspen Pharmacare, um dos 20 maiores fabricantes mundiais de remédios genéricos, tem como estratégia de crescimento no País a aquisição dos direitos de produção de medicamentos tradicionais do mercado. O foco dos sul-africanos são produtos fitoterápicos, remédios que não exigem receita médica, cardiometabólicos e biotecnológicos. Recentemente, a empresa comprou os passes dos fitoterápicos Melxi, Giamebil, Ansiopax e os suplementos vitamínicos da linha Suplan, do laboratório nacional Hebron, de Pernambuco.

Com o negócio, a Cellofarm, com fábrica no município de Serra (ES) e 350 funcionários, prevê um acréscimo de R$ 30 milhões no seu faturamento anual. No ano passado, a empresa faturou R$ 70 milhões, valor que deve dobrar até a metade de 2011, quando encerra-se o ano fiscal da companhia. No mesmo período, sua controladora, a Aspen Pharmacare, presente em 13 países, faturou US$ 1,1 bilhão.

CORREÇÃO

A fotografia do empresário Mário Valério Gazin, publicada na edição do dia 19 de julho, é de autoria de Ivonaldo Alexandre/Valor/Folhapress.

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