Tendência da balança comercial é de déficit

As várias revisões nas projeções do resultado da balança comercial no ano passado e o surpreendente desempenho negativo do comércio exterior brasileiro neste começo de ano alteraram o método utilizado pelos exportadores para estimar o comportamento do comércio exterior. A Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior) e a Associação de Comércio de Comércio Exterior do Brasil (AEB), por exemplo, fizeram para este ano várias projeções para a balança, com base em diferentes cenários. As duas entidades mostram que o resultado da balança só será positivo se as condições internas e externas forem muito propensas. Em estudo recém-concluído, a Abracex analisou onze diferentes cenários que, cruzados, mostram três resultados. No caso de saldo positivo de US$ 5 bi, o trabalho considera estabilidade no mercado norte-americano, na cotação do euro, do preço do petróleo e no câmbio, além de alta nos preços das commodities, reestruturação da política de comércio exterior, investimento em promoção de produtos brasileiros, realização da reforma tributária, vontade política e crescimento normal do mercado interno. Neste quadro, as exportações podem chegar a US$ 70 bi, e as importações, a US$ 65 bi.Em um quadro no qual todas as condições positivas não se concretizam, a estimativa de resultado para a balança cai para um déficit de US$ 3 bi, com exportações de US$ 55 bi. Considerando esse mesmo cenário, mas com registro de forte alta na demanda interna, a projeção é de déficit de US$ 5 bi, com exportações de US$ 50 bi. Já a AEB traça outros três cenários para o comércio exterior. No quadro mais realista - e no qual a entidade mais aposta -, que considera a manutenção dos preços atuais das commodities nos próximos 12 meses, crescimento do PIB brasileiro de 4% e recuo na taxa expansão do comércio mundial de 10% em 2000 para 7% em 2001, a AEB projeta déficit comercial de US$ 450 mi no ano que vem. "Isso tudo se não houver recessão nos Estados Unidos", ressaltou José Augusto de Castro, diretor da AEB. No estudo Previsões para 2001, a AEB qualifica como mais otimista o quadro que projeta explosão nos preços das commodities, o que beneficiaria o Brasil sobretudo nos casos de aço e soja. Nesse caso, a balança poderia apresentar superávit de US$ 3,5 bi. Já no quadro mais pessimista, que considera forte desaceleração da economia norte-americana, queda na demanda mundial por commodities e recuo do consumo em diversos setores, a estimativa para a balança brasileira é de déficit de US$ 5,3 bi. A Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior)estima que a balança comercial brasileira registrará um déficit de US$ 200 mi neste ano, resultado de exportações de US$ 60 bi e importações de US$ 60,2 bi. Mas destaca que são várias as incertezas que podem alterar a projeção. A principal delas está ligada à taxa de crescimento das exportações, sobretudo no que tange ao desempenho das economias norte-americana e argentina. A Funcex também considera, entre as incertezas, o preço do petróleo. Além disso, continua a tendência de desaceleração das quantidades exportadas.

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