Dida Sampaio/ AE
Dida Sampaio/ AE

Tendência é que Meirelles permaneça no BC, diz líder do governo

Para Romero Jucá, presidente da instituição deve pensar duas vezes antes de deixar cargo; mercado já comenta hipótese 

Célia Froufe, da Agência Estado,

31 de março de 2010 | 11h34

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), avaliou nesta quarta-feira que a tendência é a de o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, permanecer no cargo. Na terça-feira à tarde, Meirelles teve um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e solicitou um prazo de 24 horas para tomar a decisão. "A tendência é ficar porque ele está preocupado com o cenário todo", disse Jucá, no evento realizado esta manhã no Itamaraty para transmissão de cargo dos ministros que estão deixando suas pastas para concorrer às eleições de outubro. De acordo com Jucá, "Meirelles está pensando o que vai fazer da vida". "É difícil dizer mais é natural que ele pense duas vezes antes de deixar o BC", afirmou.

 

O nome de Meirelles é visto como "extraordinário" pelo PMDB para concorrer a uma vaga no Senado por Goiás ou compor a chapa com a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência. "O que senti é que a decisão ainda não está tomada."

 

Aumentam as chances de Meirelles permanecer no cargo, diz economista da Icap Brasil

 

A economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, afirmou nesta quarta-feira que passou a considerar maiores as chances de o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, permanecer no cargo até o final do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Em entrevista à Agência Estado em que comentou a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do BC, ela disse que, além do pedido feito ontem pelo presidente Lula para que permaneça no posto, Meirelles tende a considerar na sua decisão de hoje se realmente terá um apoio político forte, tanto como vice da pré-candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), como numa eventual disputa para o Senado pelo Estado de Goiás.

 

"Ele não está com este apoio político forte", opinou Inês. "Apesar da tendência de ele receber um apoio do presidente Lula, ele não é aquele candidato preferencial e isso vai acabar pesando na decisão de Meirelles permanecer ou não", complementou a economista, que considera "ótima" a possibilidade do presidente do Banco Central continuar onde está.

 

Na avaliação de Inês Filipa, a opção de permanência de Meirelles é boa porque ele seria "a pessoa perfeita", num eventual novo mandato do PT, para assumir o cargo de ministro da Fazenda, ocupado atualmente por Guido Mantega. "É um desperdício colocar uma pessoa como Henrique Meirelles como vice, pois ele não tende a ter influência relevante nas decisões de Dilma, que tem um grupo muito limitado de pessoas que costuma escutar, o que deixaria Meirelles totalmente apagado", comentou.

 

Para a economista, o motivo principal para Meirelles ser um bom nome para a pasta da Fazenda seria a credibilidade que seria transmitida ao mercado. "O posto exige uma pessoa de perfil forte, conservador e que não gere atrito entre os ministérios e o BC, aumentando a credibilidade do governo e mantendo a confiança do mercado, tendo um braço forte no controle fiscal", destacou, em nota à parte distribuída à imprensa logo após conversar com a AE.

 

Questionada sobre a saída anunciada de Mário Mesquita da Diretoria de Política Econômica do Banco Central, Inês Filipa respondeu que não houve qualquer surpresa. "Já estava totalmente precificado pelo mercado. Havia um consenso de que ele não ficaria, independente da decisão do Meirelles. Perde-se uma pessoa que era bastante forte nas decisões de política monetária, mas já se sabia que ele sairia há bastante tempo", afirmou.

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