Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Tendência para inadimplência da pessoa física e PME é de queda em 2018, diz Bradesco

Já na pessoa jurídica, de acordo com o vice-presidente do Bradesco, Alexandre Gluher, é mais difícil fazer uma previsão uma vez que esse segmento é mais volátil

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2017 | 16h05

O vice-presidente do Bradesco, Alexandre Gluher, afirmou que a tendência para 2018 é de continuidade de queda da inadimplência. Na pessoa física e nas pequenas e médias empresas, segundo o executivo, a trajetória de retração dos calotes está dada e deve se manter no próximo ano. Já na pessoa jurídica, de acordo com Gluher,  é mais difícil fazer uma previsão uma vez que esse segmento é mais volátil. Apesar disso, o executivo também espera que nesta carteira a tendência para o próximo ano, a despeito de oscilações no indicador, seja de queda.

"Esperamos redução das provisões para devedores duvidosos em 2018", acrescentou Gluher, em conversa com a imprensa, na tarde desta quinta-feira, 14.

Já a redução dos spreads, que são a diferença de quanto os bancos pagam para captar e o quanto cobram para emprestar, é apenas uma questão de tempo no Brasil, mas deve acontecer no momento adequado, avaliou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. "Alguns spreads mais elevados custeiam a bancarização no Brasil", destacou ele.

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Alexandre Gluher, afirmou que não dá para "cair no pecado" de achar que os spreads vão cair na mesma proporcionalidade da Selic. Isso porque, conforme o executivo explicou, as taxas cobradas aos clientes são formadas por vários itens e não só os juros básicos. Pesam ainda, segundo ele, os custos tributários, a inadimplência, que está em queda no Brasil, as despesas operacionais etc.

No entanto, Gluher ressaltou o esforço dos bancos para serem mais eficientes, contribuindo para a redução dos spreads ao cliente final.

A redução dos depósitos compulsórios no Brasil também podem contribuir para a queda dos spreads assim como o custo tributário dos bancos, de acordo com Gluher.

"A redução de compulsórios pode melhorar ainda a oferta de crédito à medida que possamos aplicar esses recursos com mais eficiência e a competição entre os bancos", destacou o executivo, em conversa com a imprensa, nesta tarde.

Ele lembrou ainda que, embora o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tenha mencionado a redução dos compulsórios em seus discursos recentes, não há um prazo para que esse movimento ocorra. De acordo com Gluher, o Bradesco tem condições e vai crescer sua carteira de crédito no próximo ano a despeito de uma movimentação no compulsório por parte do regulador.

Gluher afirmou que o mercado em geral deve crescer entre 4,5% e 6% no ano que vem e que o Banco tem condições de apresentar expansão ligeiramente acima desse intervalo. Não mencionou, contudo, as projeções do Bradesco para o ano que vem que, segundo ele, estão sendo debatidas ainda.

"A redução dos compulsórios no Brasil é questão de tempo. Basta o País dar certo", destacou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, que acrescentou que os bancos não ficarão com "liquidez empossada"

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Crédito. Trabuco afirmou ainda que o crédito no Brasil já está apresentando tração. Enquanto do lado da pessoa física e das pequenas e médias empresas, por parte das linhas de capital de giro, já há procura por crédito novo, entre os grandes grupos, apesar da carteira ainda estar em queda, ele acredita na retomada no próximo ano.

"O pior momento da crise do crédito corporativo passou. Devemos ver uma boa taxa de crescimento dessa linha no ano que vem. O aumento da demanda de crédito é evidente no número de propostas diárias", explicou ele, acrescentando que o banco tem notado expansão de crédito novo nas agências e não só aqueles para reperfilar e renegociar dívidas.

Trabuco reforçou que a recessão do País foi tão profunda que gerou capacidade ociosa no setor produtivo e, portanto, qualquer sinalização do aumento do consumo será positiva para a reação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O consumo das famílias, de acordo com o executivo, ficou muito deprimido e a indústria automobilística é um bom exemplo deste cenário.

No entanto, conforme o presidente do Bradesco, as pessoas que mantiveram seus empregos estão comprando imóvel e trocando de carro, o que tende a movimentar o crédito e, consequentemente, a economia brasileira. Do lado das empresas, acrescentou, a linha de capital de giro voltou a crescer no último trimestre após dois anos de queda. "Temos o consumo das famílias e dependência da taxa de investimento como fatores de crédito para 2018", destacou Trabuco. 

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Moedas digitais. Alexandre Gluher, afirmou que há uma euforia em torno das moedas digitais, mas que o momento ainda é de observação. "Se existisse lastro para moedas digitais seria ótimo. A tecnologia por trás das moedas digitais, o blockchain, é sensacional e pode ser usado em outras frentes", destacou ele.

Gluher ressaltou que, como não há lastro, os bancos centrais no mundo estão preocupados com o crescimento das moedas digitais.

Luiz Carlos Trabuco, afirmou que todos os bancos foram impactados pelas fintechs, startups do mercado financeiro, mas a maioria das instituições está incorporando essas empresas. Disse ainda que os grupos com atividade similar à dos bancos terão de passar pela mesma regulação e acrescentou que players já estabelecidos como o Google podem ganhar espaço em mercados que até então somente os bancos atuavam como, por exemplo, os meios de pagamentos. 

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