Tendências: custo do petróleo sob pressão

Um dos motivos apontados pelos analistas para o cenário incerto em relação aos juros norte-americanos e no Brasil é o preço do petróleo. Isso porque o custo do óleo vem subindo e pode ter reflexos nos índices inflacionários desses países. A manutenção dos juros em patamares elevados contribui para que não haja pressão inflacionária, pois inibe o consumo.A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reúne no dia 21 para decidir se deve aumentar a produção. Análise do consultor da Tendências, Fábio Silveira, revela que a Organização deve decidir pela elevação da produção com o objetivo de conter o preço do barril do óleo. Silveira explica que a Opep deve adotar essa estratégia em função de um aumento na demanda por gasolina no terceiro trimestre. A explicação dada pelo consultor é de que, em época de férias no Hemisfério Norte, muita gente viaja de carro e há um declínio mais acentuado nos estoques dos chamados derivados leves do petróleo. A gasolina é o principal deles.No quarto trimestre o foco de pressão muda da gasolina para o óleo combustível, utilizado nos sistemas de calefação para aquecer as residências no inverno. Produção quase parada Outro problema apontado por Silveira é que não há previsão de crescimento significativo na produção dos países que não fazem parte da Opep. Ele explica que a queda de preços a patamares muito baixos nos anos de 1997,1998 e 1999 reduziu drasticamente a capacidade de geração de caixa das empresas petrolíferas. Como o processo até a finalização da produção é caro e demorado, a maioria dos países postergou os investimentos e não houve incentivo ao aumento de oferta.Para se ter uma idéia mais exata, Silveira cita alguns números. A produção de óleo cru nos EUA e Canadá no ano passado foi 14 milhões de barris por dia. Para este ano, a previsão é de 14,3 milhões de barris. O quadro é parecido na Europa. Em 1999 foram produzidos 6,8 milhões de barris por dia. Para o ano 2000, a produção deve subir para no máximo 7 milhões de barris. Opep adota uma postura de business O consultor da Tendências lembra que a crise dos anos 90 também afetou os países membros da Opep. Mas como o custo de produção deles é bem menor que o dos EUA e Europa - de US$ 1 a US$ 3 contra US$ 9 -, o choque foi menos significativo e a capacidade de produção, pouco afetada.Para Silveira, a Opep adota hoje uma visão mais empresarial e menos política. O aumento dos preços, segundo ele, se dá também porque os países produtores tentam gerenciar o valor do petróleo para maximizar a sua rentabilidade no curto e médio prazo, tirando proveito justamente do baixo custo de produção.A idéia da Opep, conclui Silveira, é fazer caixa. Assim, a Organização terá recursos suficientes para enfrentar o aumento da concorrência, que será formada com a introdução de novas áreas de produção petrolífera - sul da China e o Mar Cáspio, além de EUA e Europa. Segundo ele, o gás natural será, no longo prazo, outra opção energética aos derivados de petróleo.

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