'Tenho muito o que ouvir do ministro'

Humberto Barbato - Presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee)

, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2011 | 00h00

1. Na semana passada, o ministro Aloizio Mercadante anunciou um investimento de US$ 12 bilhões da taiwanesa Foxconn (fabricante de displays para tablets e celulares) e a geração de 100 mil empregos no Brasil. O sr. apresentou críticas ao projeto e agora o ministro quer encontrá-lo. O que o sr. vai dizer a ele?

Eu não tenho muito o que falar, mas tenho muito que ouvir do ministro sobre esse megaprojeto. Muito gentilmente, o Ministério da Ciência e Tecnologia entrou em contato comigo solicitando esse encontro. Gostaria de conhecer os reais números desse projeto. Se tudo for verdade, também será preciso promover uma melhoria na infraestrutura (do local de instalação da fábrica, para viabilizar o projeto).

2. Por que o sr. não acredita no projeto?

Acho muito difícil que sejam gerados 100 mil empregos. Ao todo, o setor de eletroeletrônicos emprega 175 mil pessoas. O automobilístico 110 mil. Falar em 100 mil pessoas é algo fora de propósito. O valor de US$ 12 bilhões é quase o investimento necessário para três ou quatro fábricas de semicondutores da Intel.

3. Mas a Foxconn não deve fortalecer a indústria de eletroeletrônicos local?

O Brasil tem uma forte vocação para a indústria. No setor de eletroeletrônicos, o País sofre com um déficit na balança comercial de US$ 27 bilhões. Precisamos modificar essa realidade. Se a Foxconn produzir componentes, ela é bem-vinda. Mas, pelo que me consta, essa nova unidade da empresa no Brasil só montará os produtos e importará os componentes. Não podemos viver com esse déficit absurdo.

4. O sr. esperava um anúncio desse porte durante a viagem da comitiva brasileira à China?

Foi uma surpresa.

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