Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

'Tenho pedido para que os empresários não demitam', diz Luiza Trajano

Presidente do conselho de administração do Magazine Luiza disse que maior previsibilidade sobre a crise ajudaria o conter o pânico gerado pela pandemia

Entrevista com

Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza

Monica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2020 | 07h00

A empresária Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Maganize Luiza, tem feito um apelo aos empresários para que eles conservem os empregos e não fiquem em pânico. “Tenho dito que o pânico está tão grande que eles não estão conseguindo ver as medidas que o governo está tomando”, disse Luiza, que também preside o Grupo Mulheres do Brasil.

Luiza tem conversado nos últimos dias com pequenos e médios empreendedores que a procuram. “Fazia muito tempo em que nas minhas palestras estava pregando que as lojas físicas não iriam acabar, mas entrar no digital é muito importante”, disse. “O que se tira desta crise é que a gente vai ter de se reinventar”. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Há uma polêmica no governo sobre as formas de se fazer o confinamento. Como a sra. entende esta questão?

Eu não consigo responder se o confinamento pode ser desta forma (isolamento) ou vertical porque tudo é muito novo. Proteger a vida é mais importante. Mas a economia também é importante porque ajuda combater o desemprego. O que tenho falado é que o confinamento é uma realidade. Se o governo junto com a área da Saúde não der previsibilidade, dificilmente você pode colocar todo mundo para fora  para fazer compras na rua. As pessoas estão muito amedrontadas. A (área da) Saúde e os políticos têm de dar previsibilidade como alguns países deram. Acho que agora eles têm de se unir. 

Entre os empresários também há muitas dúvidas sobre fazer ou não paradas totais (lockdown)...

Se não tiver uma segurança da área da saúde, as pessoas podem até transitar, mas não vão sair comprando. Na semana passada, em alguns lugares onde a gente não tinha fechado (as lojas), as pessoas passaram a nos cobrar. Teve mãe de funcionário pedindo para fechar (a loja). Já tinha um pânico grande. As pessoas estão com medo de se encontrar. 

Como tem sido a conversa entre os empresários?

Temos feito bastante conferência. Eu sou muito procurada pelos pequenos e médios empresários. Tenho dito que o pânico está tão grande que eles não estão conseguindo ver as medidas que o governo está tomando. Eles estão com medo de quebrar e, com razão. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) tem contribuído bastante com a equipe econômica do governo. É preciso comunicar bem porque o desemprego por desespero será muito grande. 

O que a sra. tem falado para esses empresários que te procura?

Eu tenho tentado acalmar e explico que o governo está ajudando, com prorrogamento (de pagamento de impostos). Por outro lado, (a crise) tem ajudado na venda digital. Muitos deles não acreditavam neste canal. Muitos passaram a fazer delivery. Enquanto em São Paulo se investiu na venda digital, no interior do Estado ainda não.  

A sra. tocou numa questão importante. As vendas digitais são importante canal neste momento.

Fazia muito tempo em que nas minhas palestras estava pregando que as lojas físicas não iriam acabar, mas entrar no digital é muito importante. Outra coisa que acho importante: o que não se fez na área da saúde em 20 anos vai se fazer em dois meses. Outra coisa que eu quero defender é que o nosso comitê de saúde do Grupo de Mulheres do Brasil sempre estudou e valorizou muito o Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS é o melhor sistema de saúde em países com mais de 100 milhões de habitantes. O que talvez não funcione no nosso é que a troca de gestores é muito rápida. Em cada cidade nossa, tem um SUS. Em alguns deles, contudo, não têm ambulatórios e agora estão correndo para colocar tudo isso.

O que a gente vai tirar de lição desta pandemia?

Acho que a gente vai ter de se reinventar e que a cooperação vai ser muito forte. Temos que remar juntos para chegar no mesmo caminho. A gente está vendo jovens se oferecendo para fazer compras para idosos. Os netos pedindo para os avós não saírem de casa. Foi um dos aprendizados mais pesados que vivi na minha vida. O Magazine está se reinventando cada vez mais neste processo. Estávamos já muito fortes no digital e isso ajudou bastante.

Para a sra.,  as medidas da equipe econômica anunciadas esta semana serão suficientes?

Como é uma situação nova, não se vai dar tudo de uma vez. Pelas medidas que vão sair agora, e o governo tem trabalhado muito, acho que elas vão acalmar. No mundo inteiro, os governos injetaram dinheiro na economia. Tem vários fundos, não só partidário, que podem injetar recursos. O governo vai ter de estudar alternativas.

Mas as incertezas ainda persistem...

É um momento difícil que a gente nunca passou. Mas acredito no nosso poder de se reinventar e é um momento que o pânico não nos deixa ver as coisas que estão sendo anunciadas do próprio governo para que a gente possa economicamente sair do sufoco. Estou pedindo aos empresários se acalmarem, darem férias e não provocarem desemprego.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.