Tensão com dívida de Dubai derruba Bovespa e ações na Europa

Conglomerado financeiro do emirado anunciou planos para reestruturar sua dívida de quase US$ 60 bilhões

estadao.com.br,

26 de novembro de 2009 | 11h18

Após três altas consecutivas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em queda nesta quinta-feira, 26, com o aumento do sentimento de aversão ao risco devido às preocupações com a dívida de Dubai. Na quarta-feira, o Dubai World, conglomerado que atua nos setores de imóveis a portos, com passivos de quase US$ 60 bilhões, pediu uma "paralisação" de seis meses no pagamento da dívida do grupo, o maior de Dubai. O anúncio alarmou os investidores em um dia que prometia ser mais calmo devido às comemorações de Ação de Graças nos EUA, que reduzem as atividades nos mercados. Às 11h27 (de Brasília), a Bovespa caía 1,19%, aos 67.106 pontos. No mesmo horário, o dólar subia 0,49%, cotado a R$ 1,73.

 

Os investidores estão preocupados que um possível default desencadeie perdas em outras praças financeiras, como Ásia e Europa. Analistas do Credit Suisse estimam que os bancos europeus tenham uma exposição de US$ 40 bilhões a dívidas emitidas por diversas entidades estatais de Dubai, entre elas o Dubai World. 

 

A Moody's Investors Service e a Standard & Poor's rebaixaram fortemente a dívida de várias instituições ligadas ao governo de Dubai. No caso da Moody's, as instituições rebaixadas perderam o status de grau de investimento.

 

Na Europa, onde as bolsas caem quase 2%, as ações dos bancos estão puxando as perdas, pressionadas pelo problema em Dubai. As mineradoras também puxam a lista de baixas no continente, refletindo um pouco de realização de lucros e também o declínio nos preços das commodities esta manhã.

 

Já na Ásia, a bolsa de Xangai caiu 3,5%, abalada por preocupações sobre levantamento de capital em bancos. No Japão, o índice Nikkei cedeu 0,62%, influenciado pela preocupação com a valorização da moeda japonesa, que na véspera registrou sua maior cotação em relação ao dólar em 14 anos.

 

No cenário nacional, os investidores aguardam com expectativa a reunião do CMN que pode anunciar medidas cambiais. Segundo analistas, a redução da taxa do desemprego em outubro para 7,5%, ante 7,7% em setembro, divulgada pelo IBGE nesta quinta cedo, e o IPCA-15 de novembro mais salgado - a taxa subiu para 0,44% ante 0,18% em outubro - não devem fazer preço na Bovespa nesta quinta.

 

(com Agência Estado)

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