Tensão comercial entre EUA e China dita pessimismo no mercado e dólar cola em R$ 3,90

Tensão comercial entre EUA e China dita pessimismo no mercado e dólar cola em R$ 3,90

No Brasil, a moeda americana se manteve em alta nesta sexta; instável, o Ibovepa estava perto do 102 mil pontos no começo desta tarde

O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2019 | 13h17

As tensões comerciais entre Estados Unidos e China, dessa vez com ameaças de retaliação por parte dos asiáticos, volta a trazer forte aversão aos ativos de risco globais, o que contamina os mercados brasileiros, ainda que em diferentes magnitudes. No caso do dólar ante o real, por exemplo, o sinal de alta que prevalece desde a abertura dos negócios é intensificado pelo aumento da cautela antes do retorno dos trabalhos no Congresso Nacional, com a votação do segundo turno da Previdência como principal tema da próxima semana. 

Nesse cenário, o dólar se aproximou de R$ 3,90 pela manhã e começou a tarde na casa de R$ 3,88, com valorização próxima de 1%. 

Acirramento da guerra comercial 

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 1.º, a imposição de uma tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos importados da China. Segundo Trump, a medida entrará em vigor em 1.º de setembro e afetará mercadorias que ainda não haviam sido alvo de ação similar dos americanos. 

A decisão jogou uma batata quente nas mãos do Federal Reserve e pode forçar o banco central dos EUA a cortar novamente os juros para proteger a economia americana dos riscos relacionados à política comercial. 

No exterior, além da perda de força de moedas emergentes, as Bolsas têm forte baixa, sobretudo as europeias - nos EUA as perdas ficam em torno de 1%, tudo em decorrência da fala de Trump.

Para completar o quadro de tensão, o Japão tirou a Coreia do Sul de sua lista de status preferencial para transações comerciais e o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que Trump, que deve fazer um anúncio nesta tarde sobre questões comercias com a União Europeia, "não gosta da ideia de que a Europa está essencialmente manipulando o euro" para se beneficiar.

Resultado da Petrobrás mexe com ações 

Após obter lucro recorde no segundo trimestre, de R$ 18,866 bilhões, 87% acima na comparação anual, as ações da Petrobrás lideraram as maiores altas do Ibovespa durante a maior parte da manhã. Excluindo itens não recorrentes, o valor totalizou R$ 5,2 bilhões. No começo da tarde, as ações PN subiam 3,32%, enquanto as ON avançavam 2,36%.

Depois de fecharem em alta superior a 15% na quinta, após a Coluna do Broadcast informar que o Banco do Brasil estuda vender sua participação na companhia, as ações ON de Cielo passaram por realização de lucro e lideram as maiores quedas do Ibovespa, com baixa de 4,07%.

Também em destaque de queda, as ações ON de Vale e de CSN operavam em baixa de 1,30% e 1,29% no começo datar, após o preço do minério de ferro negociado no porto de Qingdao, na China, encerrar esta sexta-feira em baixa de 6,87%, cotado a US$ 107,73 a tonelada em meio ao aumento das tensões comerciais entre EUA e China. 

Caixa reduz empréstimos para governos do Nordeste 

Caixa reduziu a concessão de novos empréstimos para o Nordeste neste ano, mostra levantamento feito pelo Estadão/Broadcast com base nos números do próprio banco e do sistema do Tesouro Nacional. Em 2019, até julho, o banco autorizou novos empréstimos no valor de R$ 4 bilhões para governadores e prefeitos de todo o País. Para o Nordeste, foram fechadas menos de dez operações, que juntas totalizam R$ 89 milhões, ou cerca de 2,2% do total – volume muito menor do que em anos anteriores. 

O presidente Jair Bolsonaro contestou a reportagem e disse que as prefeituras da região são as mais inadimplentes do País. "Houve um equívoco nessa informação. As prefeituras do Nordeste são as mais inadimplentes e a Caixa precisa de garantias para poder emprestar", afirmou. 

BR Distribuidora será nova empresa 

Nos próximos dois anos, a diretoria da BR Distribuidora vai implementar um conjunto de dez iniciativas para alinhar a companhia às suas principais concorrentes – Ipiranga e Raízen. Hoje, a BR é a maior distribuidora do País, mas é também a que tem a menor rentabilidade do mercado. Essa condição apenas será abandonada com a implementação das medidas, disse o presidente da empresa, Rafael Grisolia. / Silvana Rocha, Nicholas Shores, Maria Regina Silva, Luciana Antonello Xavier, Mariana Haubert,  Camila Turtelli e Adriana Fernandes

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