Tensão crescente com Irã alimenta dúvida de setor petrolífero

A crescente tensãoentre o Irã e potências ocidentais fez com que as empresaspetrolíferas se tornassem mais relutantes em investir noscampos de gás e petróleo daquele país, apesar de ainda havernegociações a esse respeito. Enquanto a República Islâmica testava na quinta-feira umasegunda bateria de mísseis, a Total, da França, repetia que,assim como alguns de seus concorrentes, não gastará maisdinheiro no território iraniano neste momento. "Provavelmente, precisamos ver as coisas melhorarem, ver oIrã tendo novamente relações com seus vizinhos e com o restantedos países que hoje mantêm um postura crítica quanto a ele",disse o diretor-executivo da Total, Christophe de Margerie, àTV France 24. Margerie afirmou que o projeto South Pars Phase 11encontrava-se interrompido, mas observou estar "fora dequestão" abandonar o projeto multibilionário que envolve oresfriamento de gás natural para liquefazê-lo e transportá-lo. O governo iraniano respondeu estar pronto para explorar ogigantesco campo de South Pars sem a Total. Junto com a italiana Eni e a Royal Dutch Shell, a empresafrancesa já investiu bilhões de dólares no setor decombustíveis do Irã, desafiando a ameaça de receber sanções dosEUA. O governo norte-americano, que proíbe as empresas de seupaís de fazer negócio no setor energético do Irã, lidera obloco internacional que critica o programa nuclear iraniano eimpõe sanções ao Irã. Segundo os EUA, o Irã tenta desenvolver armas atômicas. Ogoverno iraniano afirma que seu programa é totalmente pacífico. PROGRESSO LENTO O discurso ajudou a desacelerar os processos de criação deparceria para explorar as reservas iranianas. Paolo Scaroni, diretor-executivo da Eni, disse que honraráos contratos existentes, mas que não assinará outros. Anorueguesa StatoilHydro adotou uma postura semelhante. E Margerie, rejeitando as pressões do Irã para que umacordo sobre a South Pars 11 seja assinado até a metade do ano,já havia dito em maio que algo do tipo seria improvável deocorrer no curto prazo. Em uma entrevista concedida ao The Financial Times epublicada na quinta-feira, ele acrescentou: "Hoje seria umrisco político grande demais investir no Irã". Em setembro, o governo francês pediu que a Total nãocolocasse mais dinheiro no país islâmico. A empresa produz 15 mil barris de petróleo por dia no Irã,mas o contrato envolvendo essa atividade deve deixar de vigorarem breve, afirmou uma porta-voz. A Shell disse que se afastará da South Pars Phase 13, masque não abandonaria o Irã de vez. Seu parceiro de joint ventureRepsol afirmou que ainda precisa tomar uma decisão a esserespeito. "Há muitos depósitos no Irã e seria uma bobagem adotarmosuma decisão precipitada", disse um porta-voz da Repsol. Qualquer hesitação pode abrir espaço para empresas daRússia e da Ásia, que possuem agendas políticas diferentes, masinteresses comerciais semelhantes. (Reportagem adicional de Jon Boyle e Daniel Fineren emLondres e Gilles Castonguay em Milão)

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