EFE/presidencia Turca
EFE/presidencia Turca

Tensão entre Estados Unidos e Turquia chega à OMC

País recorreu à entidade internacional contra as medidas tomadas pelo governo de Donald Trump no setor siderúrgico

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2018 | 13h31

GENEBRA - A tensão diplomática entre Estados Unidos e Turquia chega à Organização Mundial do Comércio. Nesta segunda-feira, Ancara recorreu oficialmente à entidade internacional contra as medidas tomadas pelo governo de Donald Trump no setor siderúrgico. 

A Casa Branca havia estabelecido barreiras adicionais ao aço e alumínio turco. As taxas foram incrementadas em duas vezes, diante da disputa que existe entre os dois países por conta da prisão por parte do governo de Recep Erdogan de um pastor americano acusado de “terrorismo” e outros supostos crimes. 

A tensão entre os dois países havia levado a moeda turca a desabar, com fortes impactos para a economia local e também para outros mercados emergentes, inclusive no Brasil.

 Em resposta ao aumento de tarifas de importação de 20% para 50%, o governo turco ainda anunciou retaliações contra produtos americanos, incluindo veículos, bebidas e tabaco. De acordo com o ministro do Comércio da Turquia, Ruhsar Pekcan, os 22 produtos alvos de retaliações representam um comércio de US$ 533 milhões.

Para Ancara, a decisão americana de elevar as tarifas viola as regras internacionais e a esperança agora é que o tribunal da entidade com sede em Genebra possa condenar as práticas de Trump. “A Turquia espera que outros países sigam as leis”, declarou o governo, ao anunciar a decisão de recorrer à OMC. 

Aliada da OTAN, a Turquia passou a ser colocada sob uma pressão financeira inédita, depois das medidas adotadas por Trump. 

As agências de classificação de risco, por exemplo, rebaixaram a nota de crédito do país na última sexta-feira. A agência S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Turquia de BB- para B+ e manteve a perspectiva estável. Já a Moody's rebaixou o rating de Ba2 para Ba3 e mudou a perspectiva para negativa.

Em um comunicado, a S&P aponta que a extrema volatilidade exibida pela lira nas últimas duas semanas "se segue ao prolongado superaquecimento econômico da Turquia, à alavancagem externa e à deriva das políticas". 

Para a agência, o enfraquecimento substancial da moeda da Turquia tem implicações fiscais negativas, ao mesmo tempo em que sobrecarrega os balanços das empresas e pressiona ainda mais os bancos turcos. Não por acaso, a agência projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) da Turquia apresentará contração de 0,5% em 2019, antes de apresentar recuperação gradual. No fim de semana, Erdogan voltou a apelar à sua população para “unir forças” contra a pressão imposta pelos EUA. Segundo ele, “a Turquia não irá se dobrar”. 

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