Tensão externa é o principal foco do mercado esta semana

O mercado financeiro deve retomar os negócios nesta segunda com redobrada cautela, atento, mais uma vez, ao cenário internacional e doméstico. No plano externo, o foco de expectativas é o possível ataque dos Estados Unidos contra o Iraque. O clima de confronto entre os dois países se agravou com a recusa do Iraque, na sexta-feira, de permitir a presença de inspetores da ONU no país, um dia após o ultimato dos EUA à ONU para que aja contra Saddam Hussein, o presidente iraquiano. A reação do Iraque fez disparar os preços do petróleo e reforçou a tensão nos mercados mundiais, incluído o doméstico.Internamente, o interesse do mercado financeiro estará voltado à divulgação de novos resultados de sondagens eleitorais e à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que, no término da reunião de dois dias na quarta-feira, vai definir o rumo da taxa básica de juros, de 18% ao ano, no momento. Em geral, as especulações sobre dados de pesquisas eleitorais predominam e ditam os rumos dos mercados na abertura dos negócios da semana. O Instituto Vox Populi registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sexta-feira, pedido de divulgação de pesquisa a ser realizada entre hoje e amanhã. O resultado sobre intenções de voto captadas pela pesquisa Ibope deverá ser conhecido terça-feira à noite.Convencido de que o candidato governista José Serra deixou Ciro Gomes, do PPS, para trás e consolidou a segunda posição na corrida presidencial, o mercado financeiro quer saber a partir de agora a diferença que separa Serra de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, na liderança. Um encolhimento da distância entre eles pode dar algum alento aos negócios, mais influenciados pelas incertezas externas, no momento.As opiniões do mercado estão divididas em relação à decisão do Copom sobre os juros, embora a maioria das apostas seja pela estabilidade da taxa básica. Uma ala do mercado acredita, porém, que o viés (tendência) de baixa que o Banco Central não usou para reduzir o juro básico entre a última reunião, em agosto, e a que começa amanhã pode cortar ligeiramente a taxa nesta reunião. Uma decisão que, ainda que adotada, teria o impacto positivo diluído pela expectativa com eventos internacionais.O quadro que se desenha seria de adversidade, sobretudo para o mercado de dólar, avaliam especialistas. O diretor de Tesouraria do Banco Santos, Clive Botelho, aponta como fator de pressão sobre o câmbio a elevada concentração de vencimentos de contratos de swap e títulos cambiais, em torno de US$ 5,8 bilhões, em outubro, além de dívidas do setor privado de aproximadamente US$ 2 bilhões. A aproximação desses vencimentos tende a reforçar a pressão sobre o dólar.

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