Tensão faz dólar disparar e Bolsa despenca

As fortes quedas nas bolsas internacionais não param. Ontem foi mais um dia de tensão no mundo inteiro com a notícia do maior pedido de concordata da história, feito pela WorldCom, (controladora da Embratel), que acumula dívidas de US$ 41 bilhões e admitiu há um mês que os seus balanços estavam fraudados. Muitas empresas estão sob investigação por fraude contábil, e os prognósticos de ganhos das grandes corporações nos Estados Unidos estão decepcionando. No Brasil, a pesquisa do Vox Populi azedou ainda mais os humores.Ontem o presidente dos Estados Unidos voltou a falar ao país, sustentando que a economia real continua sólida e em crescimento. Mas, depois de tantas perdas, é difícil convencer o cidadão a voltar a investir em ações. Primeiro, veio o fim da bolha especulativa nos mercados de alta tecnologia, depois a desaceleração da economia mundial e atentados terroristas nos EUA, e agora, uma seqüência de fraudes contábeis nas maiores corporações internacionais. O governo também não tem muita moral, e já se cogita a substituição do secretário de Tesouro, Paul O´Neill, por sua incapacidade em conter a crise. Mas o pior é que as investigações chegam ao vice presidente Dick Cheney, acusado de fraude e lucro com venda de ações com base em informação privilegiada. Também há denúncias contra George W. Bush, por tomar um empréstimo subsidiado quando diretor e sócio da Harken. Ele ainda teria usado informações privilegiadas para ganhar com a venda de ações da empresa.O resultado são quedas e mais quedas, no mundo inteiro e os valores das ações estão em níveis muito baixos. Em Londres, por exemplo, o FTSE-100 já chegou ao patamar de quase seis anos atrás, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - caiu 2,93% (a 7784,6 pontos), o pior resultado em quatro anos. E a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - perdeu 2,77% (a 1282,65 pontos). A própria Bolsa de Valores de São Paulo teve queda de 6,53% em 9.892 pontos e voltou ao nível de agosto de 1999. O dólar comercial foi vendido à cotação recorde de R$ 2,9020 nos últimos negócios do dia, em alta de 1,26% No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 22,150% ao ano, frente a 21,900% ao ano sexta-feira. O que ajudou a piorar a situação no Brasil foi que os mercados locais vinham resistindo ao pessimismo externo. Mas a pesquisa do Vox Populi, que indicou avanço do candidato Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, chegando muito perto do líder Luis Inácio Lula da Silva, do PT, não agradou. Enquanto candidatos de discurso considerado indesejável pelo mercado polarizam a disputa, José Serra (PSDB/PMDB), o favorito dos investidores, manteve-se distante no terceiro lugar. Hoje a apreensão é grande, pois a tendência seria de uma certa correção para cima das cotações depois dos sustos de ontem. Mas os escândalos tem sido muito freqüentes nos Estados Unidos e podem se repetir. Além disso, nessa época de divulgação de resultados e projeções, a tendência é mesmo de oscilação. Com o nervosismo atual, é difícil prever altas.O mercado também acompanha com atenção a visita da vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Brasil. O apoio do Fundo é um bom sinal, mas ainda falta muito para um empréstimo de transição para facilitar o início do próximo mandato. E, de agora em diante, as divulgações de pesquisas eleitorais devem ser mais freqüentes, com efeitos nos negócios. Também se espera a divulgação, na quarta-feira, da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando se decidiu pela redução de 18,5% para 18% ao ano da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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