Tensão marca debate para definir orçamento da UE

De um lado estão os que querem congelar os gastos, como Reino Unido e Holanda, e do outro os que esperam mais ajuda, como Polônia e Grécia

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h21

Os líderes da União Europeia demandavam e ameaçavam ontem enquanto chegavam para o primeiro de dois dias de reunião em busca de um acordo sobre o orçamento de quase 1 trilhão para o bloco ao longo dos próximos sete anos.

O Reino Unido liderou o grupo que abafou as esperanças por um acordo. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, definiu o tom ao dizer aos repórteres que "não estava contente" com as propostas apresentadas, e prometeu lutar para conseguir o melhor acordo para o seu país. Pouco depois, seu aliado holandês, Mark Rutte, afirmou que portava uma metafórica "arma carregada", para o caso de seus desejos não serem atendidos.

Os momentos anteriores ao encontro foram dominados pelo receio de que Cameron vetaria as discussões se os outros não concordassem com seu pedido de congelamento dos gastos da UE. Outros líderes também soltaram ameaças sobre o encontro, que tradicionalmente reserva uma das discussões mais explosivas da agenda europeia.

A Polônia lidera um grupo de 15 países - incluindo Grécia, Portugal e Espanha - que se opõe a cortes no fundo que ajuda os países mais pobres da UE a alcançarem o restante do bloco. No outro extremo, estão os países nórdicos, os contribuintes, que exigem que o orçamento reflita o aperto de cintos vigente na Europa. "Todos aqueles que querem promover crescimento na Europa, que pensam em mais empregos e investimentos para emergir da crise, devem apoiar a Polônia", disse o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk.

Limites. O orçamento de 2014 a 2020 define tetos de gastos para todas as áreas de políticas da UE, com a maior parte do dinheiro tradicionalmente destinada a subsídios agrícolas e financiamento para os países em dificuldades. Discussões na semana passada colocaram o teto próximo a 975 bilhões, valor que passa longe dos cortes exigidos por Cameron e outros ministros.

"Obviamente, em um momento em que tomamos decisões difíceis em casa sobre gastos públicos, seria errado existirem propostas com um aumento tão grande de gastos na UE", disse o primeiro-ministro britânico.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que busca um acordo rapidamente para poder passar à questão mais urgente da crise na zona do euro, disse que está cautelosa quanto a expectativas de um acordo esta semana. Seu colega francês François Hollande criticou aqueles que definem "ultimatos" em vez de estarem dispostos a se comprometer.

Se a reunião não for bem-sucedida, a questão deve se agravar no próximo ano, e pode ameaçar a implementação de uma série de programas da União Europeia. Para o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, "não será uma tragédia" se os líderes da UE não conseguirem chegar a um acordo sobre o orçamento. Segundo ele, no entanto, todos estão participando do encontro em Bruxelas com o objetivo de chegar a um acordo. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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