Tensão na Ásia acentua queda de bolsas

Conflito entre Coreias, somado aos planos de austeridade na Europa e suas consequências, aumentou o pessimismo do mercado

Andrei Netto e Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

As principais bolsas no mundo fecharam no vermelho mais uma vez ontem com a crescente preocupação de que os rígidos planos de austeridade adotados pelos principais países da Europa possam comprometer a frágil recuperação econômica. Para piorar o humor, entrou no radar do mercado o conflito político entre Coreia do Norte e Coreia do Sul, na Ásia.

A principal razão de inquietude é a relação entre a necessidade de cortar os déficits públicos nos países europeus e manter os incentivos para que a retomada do crescimento não seja interrompida. A Bolsa de Londres fechou em queda de 2,54%. Em Paris, o recuo foi de 2,90%; e em Frankfurt, 2,34%. As quedas mais acentuadas aconteceram em Milão, baixa de 3,40%, e em Madri, 3,05%.

Nos Estados Unidos, depois de iniciar com forte queda, seguindo a Europa, os principais índices da Bolsa de Valores de Nova York fecharam praticamente estáveis. Apesar de sinais positivos na economia americana, os investidores estão apreensivos com a crise europeia e também com a tensão entre as duas Coréias. O índice Dow Jones, que mede a variação das principais ações da bolsa, despencou no começo do pregão, chegando a operar abaixo dos 10 mil pontos pela primeira vez desde fevereiro. No fim do dia, após se recuperar, fechou em queda de 0,23%, em 10.043 pontos. O S&P 500 teve uma leve alta de 0,04%, mas já perdeu cerca de 13% do seu valor desde abril. O índice Nasdaq teve redução de 0,12%.

Na esteira de Wall Street, a Bovespa, que chegou a cair mais de 3% pela manhã, descendo ao nível de 57 mil pontos, também reduziu a baixa, para 1,22% no fim da sessão.

"O temor é recorrente sobre o déficit na Espanha, as inquietações sobre as políticas restritivas no Reino Unido e, a cereja do bolo, a tensão crescente na Coreia", explica Frédéric Rozier, da consultoria Meeschaert.

As bolsas asiáticas reagiram com fortes perdas. A Bolsa de Tóquio caiu 3,06%; Seul, 2,75%; e Shangai, 1,90%.

Duplo mergulho. Desde quando a economia dos EUA passou a apresentar leves melhorias no fim do ano passado, economistas como Nouriel Roubini, professor da Universidade Nova York e guru da crise de 2008, alertava para o risco de uma recuperação em formato de "W", ou duplo mergulho.

Basicamente, a economia global, depois da primeira queda em 2008, teria uma segunda recessão após leve recuperação. Este seria, na avaliação de alguns analistas como ele próprio, o fenômeno observado agora. Mesmo a recuperação no fim do dia de ontem seria "técnica" nas palavras de análise divulgada por Allen Sinai, economista-chefe da Decision Economics.

Além da crise na Europa, que já vem atemorizando o mercado há algumas semanas, emergiu nos últimos dias a crise no Pacífico. Meses atrás, um navio da Coreia do Sul foi afundado. Depois de investigações, os sul-coreanos chegaram à conclusão de que a Coreia do Norte seria responsável. Os dois países congelaram as já reduzidas relações e os Estados Unidos passaram a fazer exercícios militares conjuntos com Seul na região. Daí, a tensão no mercado.

Nos EUA, os americanos tiveram boas notícias que ajudaram a amenizar a queda das ações na bolsa. A Conference Board divulgou dados indicando que o índice de confiança do consumidor cresceu para 63,3 pontos. Economistas apostavam que o número ficaria ao redor de 58,5.

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