Tensão na Ucrânia vai parar na OMC

Moscou atacou na entidade os EUA e Europa por terem implementado embargos contra empresas e cidadãos russos depois da invasão da Crimeia

Jamil Chade,

09 de abril de 2014 | 14h51

GENEBRA - A tensão na Ucrânia se transfere para a Organização Mundial do Comércio (OMC) e Ocidente e Rússia trocam acusações de estarem usando medidas comerciais como instrumento político na região. Moscou atacou na entidade os Estados Unidos e Europa por terem implementado embargos contra empresas e cidadãos russos depois da invasão da Crimeia.

O presidente Barack Obama publicou uma lista de pessoas na Rússia que passaram a ter suas contas bloqueadas no EUA e estão proibidas de manter negócios no país. Segundo o Kremlin, diplomatas russos estão estudando se a medida é uma violação às regras da OMC. Momentos depois, a delegação americana pediu a palavra para rejeitar o argumento russo, apontando que a decisão de Obama não viola regras comerciais.

Os russos ainda apontaram que as preferências comerciais dadas pela Europa para a Ucrânia depois da queda do governo pró-russo seriam ilegais, afetando produtos fabricados na Rússia. Bruxelas reduziu tarifas para bens ucranianos, como forma de incentivar a economia local. Os europeus responderam ao ataque russo alegando que o acordo não viola as regras da OMC.

A troca de farpas dominou a reunião. Japão, Europa, Austrália, Suíça, Coreia do Sul e EUA ainda se uniram para questionar as barreiras comerciais da Rússia, em setores como eletrodomésticos e carros. Bruxelas já abriu duas disputas contra Moscou e alertou que os russos estão criando medidas protecionistas contra mais de 150 produtos, entre eles papel, batata, leite e carne de porco. 

Já o novo governo ucraniano aproveitou a reunião para acusar a Rússia de impor barreiras comerciais contra seus produtos e por ter "invadido" parte de seu território. Kiev ganhou o apoio da Europa, do Japão, que concedeu US$ 1,5 bilhão em ajuda para a Ucrânia, e dos EUA, que saudou o novo governo de Kiev e suas reformas econômicas.

O governo russo rebateu, alertando que é "transparente" e rejeitou o ataque ucraniano, lembrando que 95% dos eleitores na Crimeia votaram por fazer parte da Rússia.

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