Peter Dejong/AP
Peter Dejong/AP

Com guerra comercial, bolsa desaba e dólar volta a nível pré-eleição

Em meio a temores de uma desaceleração mais forte da economia global, investidores abandonaram mercados acionários e ativos emergentes

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 14h18

Um conjunto de notícias negativas, externas e internas, levou o dólar a fechar no maior nível deste ano. O acirramento da tensão comercial entre a China e os Estados Unidos, com os dois países prometendo medidas protecionistas adicionais, manteve a moeda americana em alta ante a maioria dos emergentes.

O real foi novamente uma das moedas com pior desempenho. Também não agradou os investidores o atraso do cronograma da Previdência no Senado, além das mesas também estarem atentas às repercussões internacionais das queimadas na Amazônia e das denúncias envolvendo o banco BTG na Operação Lava Jato e potenciais respingos em outras instituições financeiras.

O dólar fechou em alta de 1,14% no mercado à vista, a R$ 4,1246, o maior valor desde 19 de setembro, antes da eleição presidencial, quando fechou em R$ 4,1308 com pesquisas eleitorais sinalizando a ida do candidato petista Fernando Haddad para o segundo turno. 

O dólar acumulou alta de 3% nos últimos cinco dias, marcando a sexta semana consecutiva de valorização. Em uma cesta de 35 moedas, o real teve o segundo pior desempenho, perdendo apenas para a lira turca. No mês, o dólar já acumula ganho de 8%.

Bolsas

Declarações fortes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deflagraram uma onda de aversão ao risco nos mercados globais, da qual a bolsa brasileira não escapou. O temor de acirramento da guerra comercial entre EUA e China derrubou os mercados na Europa e nos Estados Unidos e o Índice Bovespa perdeu 2,34% e fechou aos 97.667,49 pontos, menor nível desde 17 de junho. Em dólares, a perda foi de 3,45%. O Dow Jones fechou em queda de mais de 600 pontos, ao recuar 2,37%, S&P 500 caiu 2,59% e Nasdaq cedeu 3,00%.

Embora tenha ficado em segundo plano, o cenário doméstico também contribuiu para o desempenho negativo do mercado doméstico, afirmaram analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast.

“Foi uma aversão ao risco bastante forte e nem mesmo as ações que em geral são beneficiadas pela alta do dólar escaparam. A queda foi resultado da soma do cenário externo conturbado com o ambiente doméstico igualmente conturbado”, disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

“No que diz respeito às queimadas na Amazônia, não vejo conexão com o que aconteceu hoje na Bolsa. Mas certamente essa pressão sobre o governo não ajuda, uma vez que o momento é de diálogo com os senadores”, disse Arbetman.

 

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