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Tensão no mercado não tem nada a ver com crise política, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira que convocou a entrevista coletiva desta tarde, na sede do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro, para "contrariar afirmações feitas nos últimos dias" de que a tensão com a crise política está abalando o mercado financeiro. Ele afirmou que a economia brasileira está sólida, tranqüila, continua crescendo e que nos últimos dias houve uma certa turbulência econômica no mundo inteiro e não apenas no Brasil. "A menos que achemos que problemas no Brasil abalem o mundo todo", ironizou. Para ele, o fato mais importante para o abalo do mercado foi a análise do Federal Reserve de queda da atividade e desaquecimento do mercado imobiliário na economia norte-americana. Além disso, ele citou o golpe na Tailândia e problemas no Equador e na Hungria para justificar o nervosismo dos investidores. Mantega afirmou que o risco Brasil subiu exatamente 7,2% na quinta-feira e o risco médio dos emergentes subiu 7,4%. "É óbvio que isso não tem nada a ver com dossiês, relatórios e coisa que o valha", afirmou em referência à crise política. Segundo Mantega, os indicadores de risco País são de curto prazo e flutuam muito. De acordo com ele, a diferença entre os riscos do Brasil e dos países emergentes em geral caiu de 110 pontos-base em janeiro, para 50 pontos-base atualmente. "A tendência é diminuir esta diferença. Somos considerados mais sólidos que no passado", afirmou. EUAO ministro disse que o desaquecimento da economia americana "já está na conta". Ele ressalvou que o que não se sabe ainda é a magnitude que terá, "se será um pouco mais ou um pouco menos". Segundo Mantega, "pode ser até que o Fed venha a reduzir a taxa de juros".O ministro afirmou que as questões internacionais não vão alterar a trajetória dos indicadores brasileiros. De acordo com ele, a taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 14,25% ao ano), está caindo "e continuará caindo". Mantega ressaltou também que a inflação brasileira "nunca esteve tão controlada quanto está hoje". Segundo o ministro, a alta do dólar nos últimos dias "é boa para os exportadores".Mantega disse ser natural, na reta final de uma campanha política, que os ânimos fiquem mais acirrados, "mas terminada a eleição, depois haverá pacificação". Segundo ele, após a conclusão das eleições, caso o presidente Lula seja reeleito, haverá condições de prosseguir em reformas como a tributária, que é, segundo ele, consensual e uma reivindicação de toda a sociedade brasileira. "Temos uma aliança ampla no País em torno da reforma tributária. Terminado o pleito, a disputa termina. Teremos parlamentares que irão se unir em torno de questões que são consensuais, como melhorias na questão tributária".O ministro minimizou, durante toda a entrevista, a crise política gerada pelo episódio de negociação de dossiê por integrantes do PT e seus efeitos na economia. "A campanha eleitoral não mexe com o econômico", disse o ministro, que afirmou ter ouvido de investidores, na reunião desta semana em Cingapura, a confirmação da "confiança plena" no Brasil. O ministro destacou também o "distanciamento" do presidente Lula no episódio do dossiê e argumentou que o candidato à reeleição só teria a perder com o episódio. "É um episódio pequeno, com dois ou três envolvidos, que já foi super explorado politicamente", afirmou.Mantega disse ainda que "estou aqui como guardião da solidez da economia brasileira, aconteça o que acontecer na esfera política". PIBEle reafirmou a previsão de que o Produto Interno Bruto brasileiro crescerá 4% em 2006. Ele lembrou que em agosto, segundo o IBGE, foram criadas 226 mil novas vagas de trabalho em relação a julho. "Isso anualizado significa que estamos gerando 2,5 milhões de empregos em 2006", afirmou. "Não entendo como a economia que não esteja crescendo geraria 226 mil novos empregos em um mês", completou. Ele citou também que o consumo varejista cresceu 5% de janeiro a julho e que a construção civil teve expansão de 10% nos últimos 12 meses. " É claro que isso não é homogêneo", afirmou, citando que setores como têxtil e vestuário e de venda de lubrificantes tiveram queda. "Mas o setores que puxam a economia estão indo bem", disse. Entre esses, citou a siderurgia, papel e celulose, construção civil e automóveis. Mantega lembrou também que o investimento cresceu 9,8% em julho ante o mesmo mês do ano passado. Segundo o ministro, está havendo uma consolidação do mercado interno, que está crescendo devido ao bom comportamento do emprego e da massa salarial. O ministro acredita que mesmo que a economia mundial venha a se desaquecer, prejudicando o ritmo de crescimento das exportações brasileiras, "esse crescimento a menor será compensado pelo crescimento do mercado interno". Matéria alterada às 18h15 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

22 de setembro de 2006 | 17h23

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