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Tensão pode antecipar saída de Augustin

A economia brasileira está em rota de recuperação, mas a equipe do ministro da Fazenda, Guido Mantega, vive dividida e debaixo de um constante "fogo amigo". Responsável pela administração do fluxo diário do caixa do governo, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, é hoje o principal foco do tiroteio. A saída de Augustin do cargo é considerada uma questão de tempo. Diante da pressão interna, que é reforçada pelas críticas da área técnica do Ministério do Planejamento, o secretário do Tesouro pode antecipar sua saída, que era esperada para o início do próximo ano - quando deve integrar o time da campanha petista para o governo gaúcho. Outro que está em situação desconfortável é o secretário executivo da Fazenda, Nelson Machado.

AE, Agencia Estado

21 de outubro de 2009 | 10h02

A posição de Augustin começou a ficar enfraquecida no início do ano, nos debates sobre a redução da meta de superávit primário para 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A Secretaria de Política Econômica (SPE), comandada por Nelson Barbosa, se irritou com a resistência do Tesouro à medida. Com forte influência no Palácio do Planalto e próximo do ministro Mantega, Barbosa ganhou a batalha e agora faz frequentemente contraponto às posições apresentadas por Augustin ao ministro.

A disputa mais recente é sobre a possibilidade de redução da meta de superávit primário (economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública) este ano, que pode ficar em 1,56% do PIB - Augustin quer cumprir a todo custo a meta central de 2,5%. Na equipe econômica, há quem não veja problema no uso dos abatimentos previstos, questionando por isso a ginástica que está sendo feita pelo Tesouro para encontrar receitas e engordar o superávit primário.

Nesse caso, Augustin conta com o respaldo de Mantega, que já se colocou pessoalmente como fiador do cumprimento da meta de 2,5%. O problema, segundo assessores do ministro, é que há grandes chances de o governo não ter dinheiro, mesmo com as manobras recentes, para fechar nos 2,5% de superávit. Se isso ocorrer, o Congresso pedirá explicações de Mantega e Augustin. A caça a receitas como depósitos judiciais e dividendos de estatais acima do normal não muda o impacto da política fiscal na economia e mina a credibilidade do resultado primário.

Outro problema apontado por assessores da Fazenda é que esse esforço para se alcançar o "número mágico" do superávit primário acaba levando a "trapalhadas" políticas, como o represamento das restituições do Imposto de Renda Pessoa Física. Na semana passada, Mantega teve de recuar da decisão e anunciar um superlote de devoluções de IR para dezembro, o que obriga o Tesouro a rever a administração do caixa do governo. A fatura foi para a conta de Augustin e enfraqueceu mais sua posição no ministério. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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